Consumo colaborativo não é modismo

A idéia de criar esse blog nasceu de um grande interesse por minha parte de assuntos relacionados a sustentabilidade e de um profundo sentimento de que as coisas “não estão como deveriam estar”. As práticas de mercado que temos hoje em dia tendem a valorizar, através da propaganda e a cultura, o sentido do hiper individualismo em relação ao consumo, que por si só já se apresenta como não-sustentável. Como disse o conhecido analista de varejo Victor Lebow em 1955 “Nossa economia enormemente produtiva, exige que tornemos o consumo nossa forma espiritual de viver, que transformemos a compra e a utilização de bens em rituais, que busquemos satisfação espiritual, nossa satisfação pessoal, no consumo. A economia precisa de coisas consumidas, queimadas, desgastadas, substituídas e descartadas a uma taxa cada vez maior”

Com o passar dos anos a sociedade toma-se conta de que não é possível consumir ignorando totalmente todas as fases de produção e mais importante ainda de descarte dos produtos consumidos.

Entre os que mais agridem o meio ambiente em detrimento do consumo exacerbado estão os norte-americanos, uma criança de família com renda média norte-americana que viverá aproximadamente até os 80 anos, consumirá 2,5 milhões de litros de água, madeira vinda de mil árvores, 21 mil toneladas de gasolina, 220 mil quilos de aço e 800 mil watts de energia elétrica*. Já uma criança brasileira consumirá 13 vezes menos os valores citados acima. Trata-se de apenas um individuo. Preocupante não?

Porém, nem tudo está perdido, existe uma onda de consumo colaborativo crescente, que embora não tenha como principal objetivo a sustentabilidade, acaba por si só gerando uma nova interação entre os consumidores que de forma secundária apresenta-se como sustentável e revolucionária. É importante ressaltar que o consumo colaborativo não trata-se de um modismo ou de ações que estão acontecendo de formas isoladas. Em alguns países já existem pessoas que vivem do chamado “collaborative lifestyle” e o percentual de consumidores aderindo ao movimento é espantosamente grande.

O consumo colaborativo dá a chance aos próprios consumidores de assumirem-se como sustentáveis e ao mesmo tempo consumindo os produtos que querem sem terem que pagar mais caro por isso, escapando das  armadilhas de muitas empresas que realizam o famoso “greenwashing” para se posicionarem no mercado como defensoras do meio ambiente ou socialmente responsáveis.

Ao longo do blog, irei citar os benefícios e os novos sites que estão surgindo que propiciam através da tecnologia uma quebra no paradigma do consumo hiper individualista e também aproxima as pessoas umas das outras, ponto que não é muito exaltado na atual cultura de alimentação feroz do ego.

Para demonstrar de fato que esse movimento de consumo colaborativo não se trata de um simples modismo, segue abaixo um vídeo com alguns dados muito interessantes.

A idéia é que o blog seja o mais colaborativo possível, sintam-se a vontade para mandar quaisquer notícias relacionadas a consumo colaborativo, sustentabilidade ou novas plataformas digitais que desempenham o papel de aproximarem os consumidores uns dos outros. Por e-mail sustentabilidadecolaborativa@gmail.com ou pelos comentários.

Até a próxima!

*Os dados foram retirados da pesquisa realizada por Rachel Botsman e Roo Roogers para o livro “Como o consumo colaborativo vai mudar nosso mundo”

Por Martin Draghi

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5 opiniões sobre “Consumo colaborativo não é modismo

  1. Henrique Freire

    É isso aí, Martin, parabéns pela iniciativa!
    Estarei atento para compartilhar conteúdo colaborativo no seu blog.
    Abraço!

    • Valeu Henrique, bom demais conhecer um figurasso como você!

      Tenho pra mim que nos próximos 10-15 anos o estilo de vida colaborativa será uma realidade e olharemos pra trás e perceberemos o quanto de material utilizávamos para saciar nossas vontades de consumo.

      Abração!

  2. Pillar

    Mais uma presente pra dar os parabéns Martin! Aproveita as redes sociais para divulgar novos posts, assim sempre poderei ficar ligada nas novidades por aqui. Sucesso nessa nova empreitada!

    Beijoss

  3. Leilson

    Você já postou alguma coisa sobre sites de consumo colaborativo? Conheço um chamado BuscaLá. ( http://buscala.com.br ) Neste site tem muitos produtos para trocar, alugar e comprar.

    • Leilson, participo do Buscalá, do DoisCamelos e do grupo do Facebook Caronas pelo Rio.

      A economia colaborativa está nascendo e é muito mais interessante do que a economia atual que vivemos. Grandes mudanças estão a caminho

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