Sorria, você está sendo controlado!

No post passado citei que iria iniciar a demonstração de alguns dos sites que são utilizados como plataformas que viabilizam e incentivam o consumo colaborativo. Porém, após pensar melhor, acredito que uma breve explicação sobre como se desenvolveu a atual sociedade do hiperconsumismo se faz necessária para um maior entendimento de como nos tornamos consumidores tão ferozes e inconsequentes.

É importante aclarar que não tenho problemas com o consumo em si. Acredito que o consumo de bens materiais e serviços muitas vezes é importante para alcançarmos objetivos que traçamos em nossas vidas. A minha aversão é com o consumismo, ou seja, o ato de consumir produtos e/ou serviços, indiscriminadamente, sem noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o ambiente.

Com essa ideia em mente, não penso em esgotar o assunto sobre como nos tornamos uma sociedade extremamente consumista e dependente das megas corporações, mas sim, explicar como se iniciou esse processo e como ele foi implementado através de uma “conversa” entre familiares dos anos 20 (1920). Um com domínio das estratégias de comunicação e outro com profundo entendimento da psicologia humana.

O ano é 1917, Edward Bernays um jovem de 26 anos recém contratado para trabalhar com o presidente Woodrow Wilson é convocado para realizar as estratégias de propagandas da I Guerra Mundial. Como a palavra propaganda ainda tinha uma influência negativa sobre os norte-americanos devido a “ameaça vermelha”, Bernays resolve criar o nome Relação Públicas como forma de utilizar a propaganda sem que fosse vista como algo pejorativo pela sociedade americana. O lema criado por ele para os norte-americanos apoiarem e defenderem o uso de força armada pra a I Guerra Mundial foi “Estamos levando democracia para toda a Europa”. Interessante notar, como esses mesmos termos ainda são utilizados pela mídia norte-americana para ganhar o apoio da população para viabilizar guerras através de falsos pretextos.

Bernays tinha como tio nada mais nada menos que Sigmund Freud. Como os estudos de seu tio ainda não tinham feito sucesso pela Áustria, Freud mandou ao seu neto partes do livro “Uma introdução geral a Psicanalise” perguntando-lhe se em troca poderia lhe ceder alguns trocados.

Bernays ficou extremamente entusiasmado com os estudos do Freud e notou que através de emoções era possível manipular o comportamento de qualquer consumidor por meio da ligação com eles em um nível subconsciente profundo, especialmente impulsos humanos baseados na sexualidade e na agressividade.

O maior exemplo desse tipo de controle de massas foi uma ação realizada por Barneys para estimular as mulheres a fumarem. Importante ressaltar que na década de 1920 o ato de mulheres fumando em público não era um comportamento socialmente aceito. Porém, Barneys queria por em prática suas crenças de estratégias de propaganda aliadas ao estudo da psicologia.

Em uma tarde, reuniu um grupo de mulheres  e jornalistas. Em um determinado horário todas as mulheres acenderam um Lucky Strike (produto da Tobacco Company)  e os jornalistas convidados por Bernays tiraram fotos que iriam parar nas capas dos mais populares jornais da época.

Na capa, estava estampada as seguintes palavras “Acendendo as tochas da liberdade nos interesses da igualdade entre sexos.

Bernays havia notado que o desejo das mulheres estava vinculado muito mais a um desejo subconsciente profundo de ter a mesma liberdade dos homens de fumarem em público. Três anos depois as vendas da American Tobacco deram um salto de R$32 milhões.

Em suas próprias palavras, Bernays disse:

Se entendemos os mecanismos e motivações da mente de um grupo de pessoas, não seria possível controlar e regir as massas de acordo com nossas vontades sem que elas tomassem conta disso? As recentes práticas de propaganda demonstram é possível, até certo ponto e com determinados limites

Acredito ter me estendido demais nesse post, porém, acho de extrema importância um básico entendimento sobre assuntos voltados a psicologia e o atual comportamento consumista. Ao longo do blog vou tentar mesclar a apresentação dos sites que viabilizam o consumo colaborativo e temas que expliquem como chegamos no atual contexto de hiper consumismo de nossa sociedade.

E vocês, alguma fez pararam pra pensar se o que compraram realmente era necessário? São perguntas importantes a serem feitas, tanto para uma maior consciência de nosso papel como consumidores como para entendermos o gigantesco poder de influência e persuasão que as empresas detêm hoje em dia sobre nossas escolhas.

Por Martin Draghi

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2 opiniões sobre “Sorria, você está sendo controlado!

  1. Leilson Duarte

    Existe também um site de consumo colaborativo chamado BuscaLá – http://www.buscala.com.br – o qual além do consumo colaborativo também promove ações sociais através de Ações do Bem, onde ONGs e Instituições Sociais podem se cadastrar e obter ajuda dos usuários.

  2. Leilson, vou começar a fazer as buscas por sites nacionais.

    O que noto é que na Europa e EUA o consumo colaborativo vem crescendo a taxas muito animadoras, acho que pra essa onda chegar até aqui vai demorar um tempo, mas acredito que já é uma excelente oportunidade de mercado pra quem quer abrir um site voltado pro consumo colaborativo.

    Valeu pelo comentário! Se quiser seguir a página do blog no Facebook segue o endereço

    http://www.facebook.com/sustentabilidadecolab

    Abraço!

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