Seres Sustentáveis

Não há separação entre eu e o planeta. Entre eu e as pessoas. Entre eu, o céu, as rochas,
plantas e animais. Todos somos um. Um grande um.

Quando se fala de sustentabilidade há por trás a crença de que podemos interferir nos
rumos do planeta. Mas isso é uma crença equivocada. Nessa forma, acredita-se que há uma
separação entre eu e o planeta. Que as coisas que acontecem na Terra são reflexos de nossas
ações e que por isso nós podemos parar com este processo.

Mas nesta visão há a crença de separação. O homem fez e faz à Terra e quando quiser pode
mudar suas ações. Esta é uma visão reta, linear, com um direcionamento do homem para
a Terra. Mas esta forma não é linear e, sim, circular. O que é feito com o planeta é reflexo
do que fazemos com nós mesmos. A Terra é um espelho dos homens. Não cuidamos de nós
mesmos. Não cuidamos de nosso corpo. De nossa mente, palavras e ações.

tumblr_m6au6d1hxa1rvvh28o1_1280

Há um grande vazio interno. Uma grande corrida para algum lugar, que não sabemos aonde.
Consumimos em busca de algo que não encontramos dentro de nós. De um prazer que não
conseguimos sentir. Destruímos buscando desesperadamente uma nova forma. Destruímos
porque nada nos satisfaz.

O barulho imposto às cidades reflete a falta e o medo do silêncio que sentimos.

A poluição imposta às cidades reflete o lixo mental que impregna as nossas mentes todo o
tempo.

A incapacidade de enxergar os outros seres vivos reflete a cegueira quanto a quem somos nós.

A falta de gratidão pelo que o planeta oferece reflete a impossibilidade de sermos gratos pelas
relações e experiências que vivenciamos.

A Terra é um grande espelho da humanidade. Não há nada fora que não esteja dentro. A dor
que infligimos ao planeta é a mesma dor que infligimos a nós mesmos. O mesmo movimento
de destruição visto do lado de fora é reflexo da insatisfação vivenciada em nossas vidas.

Não temos que salvar a Terra. Temos que salvar a nós mesmos.

Não temos que proteger e amar a Terra. Temos que proteger e amar a nós mesmos.

A Terra é linda. Perfeita. Harmônica. Cheia de vida e graça. Somos assim também. Seres
perfeitos e divinos.

A força da Terra é a força que temos. A beleza da Terra é a beleza que somos.

A capacidade de autossustentação que a Terra tem também está em nós. Por que é tão difícil
percebemos que já temos tudo o que precisamos?

Quando nós nos reconhecermos no planeta, perceberemos o quão divinos somos. Ela nós
oferece tudo. Do alimento, ao ar, às experiências. Também temos tudo dentro de nós. A paz
que almejamos, o amor que buscamos e o conforto e o senso de pertencimento que seguimos.

Ao nos aquietarmos, percebemos que somos sustentáveis. Sustentáveis, como a mãe Terra.

Não há nenhum lugar para ir, o que buscar fora. Está tudo aqui, dentro de nós. Está tudo
aqui, no planeta que moramos. A melhor comida vem da Terra. O melhor ar, a melhor água, a
melhor sombra. O calor que precisamos, o solo para servir de base de nossa experiências, os
seres a nossa volta para trocarmos e aprendermos.

O silêncio mais vivo está em nós. O maior e mais bonito amor que buscamos está em
nós. O aconchego e a proteção que buscamos, é encontrada dentro de nós. Precisamos
ser sustentáveis como seres divinos que somos. E então, não se falará mais sobre
sustentabilidade. Pois tudo será uma coisa só.

Por Ana Paula Borges, instrutora de meditação, professora de marketing na FGV e ESPM-RJ e MÃE

Anúncios
Categorias: Uncategorized | Tags: , | 1 Comentário

Navegação de Posts

Uma opinião sobre “Seres Sustentáveis

  1. Adilson

    Gostei muito do texto…A Terra é um espelho dos homens!

    Concordo quando vc diz que “não cuidamos de nós mesmos, de nosso corpo, de nossa mente, palavras e ações”, mas, iludidos, nos sentimos credenciados a pedir um planeta sustentável para nós e para os nossos filhos. Vivemos distanciados de nós mesmos, promovendo no nosso próprio corpo, diariamente, a separação que tentamos a todo custo abolir.

    A dor que infligimos ao planeta é, de fato, a mesma dor que infligimos a nós mesmos: Nos entupimos de shopping center, alcool , televisão, nicotina e toda sorte de baboseiras. O mesmo movimento de destruição que vemos “ lá fora”é o mais puro reflexo do que fazemos com nossa vidas, eu hoje eu estou absolutamente convencido disso que vc fala. Jamais nos integraremos se continuarmos nesse caminho.

    Vamos para as ruas clamar por paz mas e a paz dentro de nós? Tanto faz? Dizemos amar a Deus e ao próximo, mas como alguém pode amar as pessoas destruindo sistematicamente a si próprio?
    E eu me incluo nessa equação, pois acho que todos nós temos que fazer uma reflexão honesta sobre a contribuição que damos para o desequilíbrio do todo. Não saio um dia pra ir trabalhar sem minha dose diária de cafeína. Um simples copo de café que gera uma energia artificial, que logo se desdobrará em ansiedade, as vezes até uma inquietação que interfere em níveis que desconheço em meu equilíbrio natural. Insatisfação, dependência, desequilíbrio…Começa a busca…

    E essa é só a minha, some-se a isso a vizinha que passa as tardes infurnada na boutique, o marido que não sai do trabalho sem sua dose diária de pinga, o fumante que se machuca e machuca os que estão a sua volta, o malediscente contumaz e por aí vai… Pronto: Temos uma sociedade desequilibrada, formado por indivíduos distantes de si mesmo.

    “A poluição imposta às cidades reflete o lixo mental que impregna as nossas mentes todo o tempo”. Essa é a melhor frase do texto para mim, pois a forma como cuidamos ‘da nossa casa’ é tão displicente, tão desamorosa, que deixamos as ‘portas abertas’ pra toda sorte de pensamentos que nos impregnam e nos atribulam o tempo todo, abrindo aquele nosso vazio natural, saudável e transformando-o num imenso fosso que jamais é preenchido.

    Fragmentamos no lugar de unificar, como cachorro correndo atrás do próprio rabo jamais chegaremos a lugar nenhum. Se continuarmos nesse caminho, nos violentando dessa forma, no lugar de vivermos o ‘grande um’ viveremos sempre separados, numa busca incessante por algo que nem sabemos o que é , já que essa insatisfação traiçoeira que nos impomos nos retira não só noção do ‘ponto de partida’ como tb nos impede de enxergar onde está o ‘ponto de chegada’.

    Tudo está aqui, mas enquanto nos entupirmos desses ‘tóxicos diários’ jamais perceberemos na pele e na alma, que somos seres sustentáveis. Eu acredito que cuidando de nós, com amor por cada pedacinho do nosso ser, do nosso organismo, cuidamos também do todo, pois nos integramos naturalmente a ele.

    abraços

Colabore com sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: