Entrevista com Luciano Godoy – CEO do Sharemob

É com muito prazer que inauguramos a sessão de entrevistas. A idéia é entrevistar pessoas que estão estimulando o avanço da economia colaborativa no mundo e entender as diferenças culturais de cada pais sobre a aceitação e adesão da economia colaborativa. Nosso primeiro entrevistado é o Luciano Godoy, CEO e Co fundador da Start up Sharemob. fundadores (1)  1) Luciano, você morou nos últimos anos nos EUA. Nesses anos que você morou lá, como você enxerga o atual cenário da Economia Colaborativa nos EUA?

A Economia Colaborativa vai de vento em popa nos EUA. Durante os últimos 16 anos, período que morei lá, acompanhei o nascimento de grande parte das empresas do setor colaborativo, das quais me tornei usuário. As iniciativas de reciclar, reaproveitar e consumir sustentavelmente estão se tornando cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas, principalmente nos grandes centros urbanos. O Vale do Silício, por exemplo, abraçou a Economia Colaborativa de tal forma que se tornou o principal destino de desejo para a sede de novas startups. O leque de possibilidades não pára de se popularizar entre a população, buscando cada vez mais por produtos artesanais, aluguel de hospedagens e caronas colaborativas, e a contratação dos mais variados serviços – tudo através da comodidade do smartphone. Infelizmente, nem tudo são flores e a Economia Colaborativa enfrenta retaliações em algumas cidades americanas. São Francisco, por exemplo, já foi proibida de oferecer caronas por aplicativos e, neste momento, enfrenta um bloqueio nas operações de hospedagem colaborativa na cidade. O mesmo acontece em Nova York que, desde Outubro de 2013, barrou a oferta e contratação de hospedagens que não sejam do mercado hoteleiro. Isso, claro, causado pela pressão do lobby hoteleiro que vem perdendo espaço e deixando de arrecadar bilhões de dólares, já que os turistas estão preferindo soluções mais flexíveis, personalizadas e baratas, se hospedando na residência de um “nativo” ao invés de seguir para os tradicionais hotéis e suas diárias caríssimas e com serviço sem personalização.

2) Você utilizava serviços de empresas baseadas nos conceitos da economia colaborativa?

Com certeza! Sou um usuário ávido de serviços colaborativos. Em todas as viagens que fiz pelos EUA, sempre me hospedei em residências de nativos, e todas as experiências foram muito positivas. Nada como acordar pela manha, ir até a cozinha da casa e receber um bom dia acompanhado por um sorriso; às vezes ser até surpreendido pelo cachorro da família com suas lambidas, carinho e alegria! Sem falar das dicas de passeios, restaurantes e tudo mais que somente quem mora na cidade conhece. Outra grande vantagem que vejo é que sempre conheci as cidades com olhar de morador, vivendo um pouco do cotidiano de quem mora ali, e não apenas os tradicionais passeios de turista. Experimentei também os serviços de carona colaborativa em São Francisco e cheguei até mesmo a passar pelo processo seletivo – que faz uma rigorosa triagem para escolher os “motoristas” aptos a oferecerem carona – de uma das empresas mais renomadas que atuam neste segmento. Foi um bom “laboratório”, pois queria entender como o processo funciona a fundo. No que diz respeito a serviços, não tinha nada mais prático do que achar o encanador mais próximo num caso de emergência, simplesmente acessando o aplicativo no meu smartphone. No começo parece estranho mas, com o tempo, se torna parte da rotina usar os serviços colaborativos e você pensa “como vive até agora sem isso?”!

3) Como você enxerga o atual cenário do consumo colaborativo no Brasil?

Desde o início do pré-lançamento, percebemos que o modelo de economia colaborativa no Brasil ainda é novo e pouco conhecido, o que é algo totalmente compreensível. Nós, brasileiros, estamos vivendo recentemente algo que os países desenvolvidos já tiveram acesso há algum tempo e que enfrenta certo declínio – o acesso ao crédito e o consumo desenfreado de bens e produtos. A obtenção de produtos de marca e com alto valor agregado, que refletem na construção de um status social, ainda está muito forte nos hábitos de consumo dos brasileiros. Já na Europa e Estados Unidos, essa filosofia de consumo vem perdendo bastante espaço para a forte consciência sobre a importância de optar por modelos mais sustentáveis, ao reduzir o consumo em massa e adotar o reaproveitamento e compartilhamento de itens e bens pessoais, além do crescimento da produção de artigos artesanais dos mais variados – de roupinhas para bebê a móveis. Mesmo assim, recebemos centenas de registros de brasileiros interessados em criarem suas lojas no Sharemob, ficando atrás apenas dos EUA e Reino Unido – respectivamente em primeiro e segundo lugar -, que representam mais de 60% dos registros no Sharemob. Como acreditamos na economia colaborativa e sabemos que ela representa um mudança importante e necessária na conscientização da nossa geração e das próximas, iremos trabalhar duro para ajudar na divulgação e solidifição deste modelo no Brasil e na America Latina.

4) Você está criando uma nova empresa que se chama Sharemob, conte-nos um pouco sobre ela e de onde surgiu a inspiração para iniciar uma startup?

A inspiração para o Sharemob surgiu quando eu morava em São Francisco e me “caiu a ficha” que eu usava vários serviços colaborativos, através de aplicativos diferentes e, consequentemente, com pagamentos diferentes. O que fazia menos sentido para mim é que todos os meus reviews – a reputação on-line construída através da realização de transações no mercado colaborativo – ficavam espalhados em lugares diferentes. Foi aí que me ocorreu a importância de ter uma plataforma unificando diferentes esferas de atuação mas, principalmente, pensando em unificar os reviews – tanto de quem tem algo a oferecer/vender, como quem quer comprar/contratar -, já que a reputação é o bem mais valioso quando falamos em Economia Colaborativa. Ainda não tinha um nome definido mas sabia que era uma excelente iniciativa para a Economia Colaborativa, então precisava de um sócio, co-fundador que encarasse o desafio, e convidei meu amigo Antonio Marcello, de São Paulo, um dos programadores mais talentosos e versáteis que já conheci, formado em Propaganda e Marketing pela ESPM. Ele não hesitou em aceitar e, como é importante os fundadores estarem próximos para criação do projeto, deixei tudo para trás nos EUA e vim para Sampa, para ao lado do Antonio dar início à definição da identidade e filosofia do Sharemob e, também, iniciarmos o processo de desenvolvimento da plataforma em si.

5) Vocês tem plano de expansão para o Brasil?

Sim. O Brasil sempre esteve nos planos de expansão do Sharemob. Apesar de ser uma plataforma global, o Sharemob possui grande interesse em ajudar a alavancar a Economia Colaborativa no Brasil e, sem dúvida, teremos um escritório regional por aqui.

6) Quais as diferenças em abrir uma startup com os conceitos de consumo colaborativo no Brasil em comparação com os EUA?

Eu costumo dizer que os EUA está numa fase de “ressaca” do capitalismo. Após anos de consumo desenfreado – que se iniciou após o fim da 2ª Guerra Mundial -, as pessoas começaram a compreender que o sistema econômico atual é complicado de se manter a longo prazo, além de não ser nada sustentável. Como disse anteriormente, a Economia Colaborativa já faz parte da rotina dos americanos, então transformar o seu quarto de hóspedes ou assento “livre” de seu carro em fonte de renda, não é mais visto como loucura, ao contrário do que acontece no Brasil, onde ainda há muita resistência e pouca compreensão sobre o conceito. Por fatores culturais e políticos, os brasileiros ainda sentem muita insegurança em receber turistas e pessoas estranhas como hóspedes na própria casa. A grande diferença entre Brasil e Estados Unidos é que, aqui, teremos que ainda “educar” as pessoas e fazê-las entender primeiro como funciona a Economia Colaborativa. Acredito que o Sharemob terá um importante papel para divulgar este novo conceito mundial. Mas pensando no lado empresarial, ter uma startup no Brasil com este conceito se torna um desafio maior, inclusive para atrair investidores. Por esse motivo, o Sharemob também está aberto a investidores estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, onde possivelmente, será a sede do Sharemob.

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