Mundo em colapso? Conte-me algo novo.

Não é novidade que as crises tornam-se cenários férteis para o surgimento de novas soluções. A idéia de que o atual sistema de desenvolvimento que nos é imposto está em colapso já se torna evidente, como anunciou a NASA em seu último estudo. O mantra neoliberal de acreditar que podemos medir nosso desenvolvimento econômico a partir da quantidade de bens que consumimos é uma insanidade, quando vivemos em um mundo de recurso finitos.

O colapso de diferentes formas de civilizações também não é um fato novo na historia da humanidade, como Fritjof Capra apresenta em seu livro Ponto de Mutação, aparentemente todas as civilizações passam por processos cíclicos semelhantes de gênese, crescimento colapso e reintegração. Como apresentado no gráfico abaixo.

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Ainda de acordo com Capra

“Estudos de transformação cultural em várias sociedades mostraram que essas transformações são tipicamente precedidas por uma variedade de indicadores sociais, muito deles idênticos aos sintomas de nossa crise atual. Incluem uma sensação de alienação e um aumento de doenças mentais, crimes violentos e desintegração social, assim como maior interesse na prática espiritual”

Para alguns esse cenário pode trazer sentimentos de desesperança e tristeza, mas gosto de analisar o colapso de nossa civilização por outro viés. Acredito que o colapso seja não só necessário como desejado por muitos, uma vez que claramente o modelo de desenvolvimento vinculado ao consumo não alimenta o principal motivo de estarmos aqui, a busca pela felicidade e uma maior compreensão coletiva de nossos atos e suas consequências. A aproximação com a espiritualidade a qual Capra se refere, tem profunda ligação com as indagações clássicas que todos nós nos fazemos – “por que estamos aqui” e “quem somos?”. Fica evidente, que o modelo atual não estimula essas indagações, e as joga para debaixo do tapete, como se fossem questões secundárias a não serem discutidas.

As crises em diversos setores, como energético, alimentício, abastecimento de água, econômico,político, social e espiritual são o resultado de um modelo de desenvolvimento no qual o principal foco é o crescimento a qualquer custo, sem nos questionarmos por que devemos sempre crescer. Qual o resultado da perpetuação de um pensamento que claramente favorece o colapso que estamos assistindo?

Como muito bem analisado por Ladislau Dowbor, defensor do FIB.

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Com isso, ao invés de analisarmos setores que estão em pleno colapso, apresentarei nos próximos posts, idéias e empresas que estão atuando para o surgimento de um novo modelo de desenvolvimento, claramente mais transparente, colaborativo, inclusivo e que tem como foco o compartilhamento aberto entre seus usuários. Alguns deles já estão incomodando grandes empresas estabelecidas em seus segmentos, como relatado neste post. Existe uma mudança acontecendo que para muitos não é perceptível, que está ocorrendo a passos de formiga e tende a tornar-se uma realidade crescente.

Resumindo em apenas algumas linhas a proposta deste artigo e dos próximo posts.

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Por Martin Draghi

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Airbnb nem sequer possui uma cama, mas seus financiadores acreditam que ele é mais valioso que a rede hoteleira Hyatt.

Airbnb, o site simbolo da economia colaborativa, que reúne em sua plataforma viajantes com pessoas interessadas em alugar um quarto ou uma casa, está próximo de receber um investimento que irá valorizar a plataforma em US$10 bilhões de dólares, anunciou o Wall Street Journal.

Incrivelmente, com esse investimento o AirBnB terá maior valor de mercado do que as tradicionais empresas do segmento hoteleiro como a Hyatt, Intercontinental e Wyndham, que possuem ativos físicos e milhares de quartos ao redor do mundo. A rede Hyatt, por exemplo, tem mais de 500 propriedades em 46 países.

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O financiamiento em US$10 bilhões tornaria o AirBnB em um das startups mais valorizadas por investimentos de fundos de capitais do mundo, estando ao lado de empresas como o Dropbox (serviço de armazenamento em nuvem) e a chinesa Xioami (serviço de internet móvel). Um dos mais reconhecidos fundos de capitais, TPG, é responsável pelo financiamento, de acordo com Wall Street Journal.

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Link original – http://qz.com/190432/airbnb-doesnt-even-own-a-bed-but-its-backers-think-its-more-valuable-than-hyatt/

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Guerra total da indústria contra o Consumo Colaborativo na Espanha

Quando o consumo colaborativo apareceu em nossas vidas a cerca de 5 anos, não é de se estranhar que antes da crise financeira global, parecia um fenômeno inocente, uma nova tendência cheia de boas intenções, mas de pouco conhecimento entre o público .Porém, o tempo demostrou o contrário, especificamente em setores econômicos clássicos como os de hospedagem e o de transporte, onde as empresas tradicionalmente estabelecidas notaram uma significativa perda de fatias de mercado devido ao aparecimento de plataformas inovadoras como AirBnB e o Blablacar, que são empresas que representam um novo modelo de negócios baseados no consumo colaborativo e no compartilhamento. 

O consumo colaborativo se baseia no compartilhamento de determinados serviços, ou seja, a troca se dá entre pessoas, sem nenhuma grande empresa intermediando o processo, algo que foi proporcionado pela comunicação através da internet e os dispositivos móveis.Trata-se de um movimento oriundo da rede, onde nos últimos anos notou-se o nascimento de diversas plataformas relacionadas a essa nova forma de empreendimento. Algumas delas se tornaram empresas de grande porte, alavancando a tendência do consumo colaborativo, e obtendo resultados comerciais notáveis.

Tecnicamente, o consumo colaborativo se baseia no conceito P2P (peer-to-peer), onde a transferência de dados (ex: o antigo Napster) se dá apenas por duas partes interessadas na troca, sem ter uma grande empresa como intermediadora do processo de compra e venda. Esse modelo foi um dos mais criticados por diversas indústrias que possuíam patentes dos seus produtos, especialmente a indústria fonográfica, que acusava o modelo de estimular e promover a pirataria. As empresas com modelos de consumo colaborativo seguem a mesma regra do conceito de P2P, ou seja, criam uma plataforma onde os usuários podem se encontrar e realizar diversas atividades sem precisar de um grande intermediador do processo de compra. Alguns dos segmentos onde o consumo colaborativo já é uma realidade é o de empréstimos sociais, transporte e até serviços diversos.

O caso Blablacar na Espanha

É um fato que o consumo colaborativo está roubando clientes de determinado segmentos, por isso os players estabelecidos no mercado acusam as novas plataformas de concorrência desleal, argumentando que esses modelos de negócios não estão submetidos ao mesmo regime fiscal, nem ao mesmo sistema de licenças, nem mesmo aos padrões estabelecido de qualidade.  

A nível global, existe um crescente debate sobre a necessidade e o tipo de regulamentação para empresas que atuam com modelos de consumo colaborativo. Na Espanha, a guerra contra o consumo colaborativo já se torna evidente. Um projeto de lei redigido pelo Ministério da Economia estabelece que o montante máximo para projetos de crowdfunding seja de 1 milhão de euros, onde cada pessoa poderá investir a quantia máxima de 3 mil euros por projeto, e 6 mil euros em diversas iniciativas ao longo de 12 meses. O projeto é direcionada as chamadas “Plataformas de Financiamento Participativo”, que inclui empresas como a BlaBlaCar, que tem como conceito reunir condutores com passageiros que vão para o mesmo destino, tendo como benefícios dividir os custos da viagem e também conhecer novas pessoas. Entenda melhor no vídeo abaixo.

O projeto de lei ainda não chegou ao Congresso para ser votado, mas o último capitulo do projeto tem como principal protagonista a Fenebus (Federação Nacional de Empresas de Transporte e Ônibus) e a startup Blablacar. De origem francesa, a startup está tendo um sucesso inusitado na Espanha. No total, mais de um milhão de pessoas viajam na Europa utilizando a plataforma. A Fenebus pediu o fechamento das atividades da BlaBaCar argumentando que eles não pagam impostos, e por esse motivo estão exercendo uma atividade ilegal que vai contra as empresas de transporte que estão legalmente estabelecidas e autorizadas para exercer o serviço mediante ao sistema de licenças. Os responsáveis pela Blablacar rebatem afirmando que não pagam impostos, por que a reserva de um banco vazio em um carro é gratuita e que a troca financeira se produz entre as duas partes que aceitam em pagar determinado valor para concretizar a viagem, normalmente pago em dinheiro. No entanto, a Fenebus denunciou a situação em três instâncias de poder: O Ministério do Fomento, Ministério Público e a Direção Geral de Tráfico. A Fenebus também está disposta a apresentar sua reclamação por concorrência desleal a Comissão Nacional de Mercado e Concorrência

Guerra legislativa

No caso do segmento de hospedagem, o cenário não é muito diferente. Na Espanha, a antiga Lei de Arrecadamentos Urbanos permitia esse tipo de modelo de negócios P2P, porém, após sua reformulação ocorreram diversas modificações na lei, muitas das quais proíbem claramente o aluguel entre pessoas físicas, salientando que esses novos modelos de hospedagem não contam com os requisitos básicos, como por exemplo o serviço de limpeza.

Nas principais capitais do mundo incia-se um processo que conta com uma série de medidas restritivas as empresas voltadas ao segmento de hospedagem colaborativa (ex: AirBnb). Em Nova York e São Francisco foi estipulado em 1 mês o tempo mínimo de aluguel, em Paris sete dias. Na Espanha a Comunidade Valenciana e Catalunha foram as pioneiras na regulamentação da questão dos modelos de hospedagem compartilhadas, porém a indústria acredita que as leis são muitos fracas devido ao fato que a legislação criada apenas obriga aos anfitriões a se inscreverem em um cadastro, como parte de um código de boas práticas.

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As principais são da Associação Empresarial Hoteleira de Madrid, que apresentou sua posição sobre o tema através do seu presidente, Antonio Gil:  

Trata-e de um novo nicho de mercado que está sendo aproveitado por empresas dedicadas de forma exclusiva a esse tipo de aluguel usando a internet. Estão tentando disfarçar esse tipo de atividade com o nome de “Consumo colaborativo”, mas isso tem pouco a ver com a realidade. Seu único objetivo é oferecer um serviço como os da indústria hoteleira, as pensões, os hostels mas sem as exigências legais desses estabelecimentos.Estamos diante de um negócio, que se disfarça como quer se disfarçar

Queremos que lhes exijam o mesmo que os demais estabelecimentos para proteger o consumidor, os investimentos da rede hoteleira e também seus vizinhos.Em Barcelona, os bairros em que praticam essa forma de hospedagem colaborativa estão incomodando os vizinhos, ninguém quer ter um hotel fora de controle ao lado da sua casa” afirma o presidente.

Entre outras alegações que estão sendo apresentadas pela Associação Empresarial Hoteleira de Madrid  sugere-se uma modificação do rascunho de lei que é considerada por eles como “muito fraca, na linha da Lei da Catalunha, onde se há delimitado apenas a solicitar uma comunicação ao responsável pelo aluguel em relação a esse tipo de hospedagem colaborativa e a obrigação de acrescentar a taxa turística”, as modificações sugeridas pela Associação Empresarial Hoteleira de Madrid são:

1) A limitação de um mínimo de sete noites de aluguel, como acontece atualmente em Paris.

2) A obrigação de uma licença por uso turístico.

E por último “Pediremos que os municípios regulem a concessão dessas licenças. Estamos convencidos que é uma atividade 100% econômica e existem empresas muito grande por trás desse segmento, como o AirBnB. Confiamos que a Comunidade de Madrid se posicione a favor do setor hoteleiro. Ao contrário, se fomentará uma atividade econômica sem controle.” ressalta o presidente, Antonio Gil.

A versão do Consumo Colaborativo

Porém, a proliferação de startups baseadas no consumo colaborativo não deixa de cresce. Na Espanha,no setor de hospedagem, uma das mais populares é a Alterkeys, Chema González, CEO da startup responde sobre as diferentes questões do debate sobre a regulamentação.

Sobre a restrição do tempo mínimo de aluguel por sete afirma que

“É um absurdo, seria o mesmo que proibir, por que, por exemplo, em Madrid, poucos turistas ficam 7 dias e o segmento hoteleiro conhece perfeitamente esse dado. Por isso querem estabelecer esse limite”. Madrid tem um tempo de permanência média de turistas mais baixas da Espanha. Na Costa do Sol, por exemplo seria diferente.” afirma Gonzales

Em relação a obrigação de ter uma licença turística para os anfitriões ele concorda com que exista “uma regulamentação clara, com honorários e requisitos estabelecidos previamente, na linha da legislação vigente em Amsterdam aprovada a cerca de um mês”. ressalta Gonzales

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“É um caso paradigmático, por que em princípio Amsterdam não aceitou a ideia dos alugueis sazonais, mas acabou mudando de opinião. Agora, os anfitriões devem registrar-se em um cadastro. Além disso, devem pagar uma pequena cota por pessoa e dia determinado pelo tempo de aluguel. Ao invés de ir em contra a hospedagem colaborativa, observarão que existia uma necessidade e lhe darão uma cobertura legal ao segmento.” agrega Chema González

Sobre as acusações de concorrência desleal, explica que “nós não apenas fomentamos essa nova economia, assim como fazemos o possível para que a fiscalização se cumpra. Em nosso caso, não existe um só euro que não passe pelos bancos” O Ministério da Fazenda pode rastrear o resto do dinheiro desde sua origem, até o final do processo, desde a nossa conta até a o anfitrião. Pode também ver quanto cada um ganhou. E a partir de esse ponto, é o próprio Ministério quem estabelece uma taxa econômica que obriga as pessoas a pagar impostos quando se supera um determinado montante financeiro.

Na mesma linha, Rafael Martínzes-Cortina, responsável pelo movimento global Peers em Espanha, defende uma regulação integradora do consumo colaborativo. “Não se pode regular em contra a Internet. Digo mais, exigimos a regulamentação por que existem muitas pessoas que chegam ao final do mês graças ao dinheiro extra ganho com o aluguel de seus quartos, nesse sentido atualmente eles não sabem se estão fazendo algo ilegal. É necessário uma regulamentação inclusiva”, afirma Nesse sentido, defensor da ideia que o conceito de turismo mudou, e os novos visitantes buscam por uma experiência mais humana, longe das fragilidades do segmento hoteleiro, sua empresa aposta na criação da figura do anfitrião, em que podem se beneficiar tanto os hotéis como as pessoas físicas que alugam seus quartos.

Os hoteleiros não entenderam ao consumo colaborativo. Pensam que surgiu um novo competidor que lhes está roubando clientes, mas se eles pudessem incorporar o elemento humano diferenciador e característico do consumo colaborativo, se gerariam milhares de postos de trabalho, pessoas que pagariam profissionais autônomos para ser anfitriões de turistas em uma cidade” relata Rafael.

Link do texto original – http://www.elconfidencial.com/tecnologia/2014-03-18/guerra-total-de-la-industria-contra-el-consumo-colaborativo-en-espana_103273/#lpu61insmOefnbZd  

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A revolução colaborativa e o nascimento de um novo paradigma

Um dos períodos que mudaram o rumo das relações humanas foi a Revolução Indústrial. A melhora nos processos produtivos das fábricas e a inserção de novas tecnologias modificaram de forma significativa a dinâmica econômica e social dos países do mundo todo, e teve como principal consequência o nascimento de uma nova relação entre capital e o trabalho. Aliada as novas tecnologias industriais a publicidade também teve papel fundamental na construção de uma cultura, que tinha como principal característica a notória padronização de comportamentos através dos aparatos midiáticos. Outro papel importantíssimo da publicidade era atribuir valor simbólico aos produtos que eram vendidos, assim, com todos os mecanismos de persuassão os clientes eram levados a crer que realmente estavam consumindo mais do que um simples produto, estavam na verdade consumindo também uma imagem que traduzisse seus valores e pensamentos frente aos demais atores da sociedade, nasce a sociedade marcada pelo prenchimento de necessidades egóicas. Um aspecto importante em relação ao nascimento da cultura do consumo em massa, é que houve uma resignificação e uma revalorização dos valores sociais, assim, status, exclusividade, sensação de pertencimento de algum grupo através do consumo e outros valores essencialmente voltados para a alimentação do ego ganharam uma maior importância no tecido social, e começaram a serem vistos como indicadores de sucesso pessoal.

Porém, de alguma forma a realização do processo de compra e de obtenção de produtos tomou um rumo extremamente marcado pelo egoísmo, ou seja, os consumidores não levavam em conta os malefícios ambientais, sociais e econômicos implicados no ato de consumir, até por que estes fatos não tinham a devida atenção que mererciam. Os produtos eram vendidos de forma unitária, a serem adquiridos e consumidos individualmennte, não houve nenhuma preocupação em entender melhor os limites de recursos que tinhamos disponíveis, com isso as implicações negativas de instituirmos uma sociedade totalmente direcionado e alimentada para o consumo estão cada dia mais óbvias.

A poluição alcançou níveis insustentáveis, a produção de valores criados pela cultura de massa através do consumo são totalmente distorcidos das reais necessidades que temos em nossas vidas e nossas relações sociais foram se deteriorando. Uma excelente forma de traduzir uma das consequências do consumo ilimitado é a formação das chamadas “ilhas de lixo”, que são locais nos oceanos onde a concentração de lixo é tão grande que infelizmente acaba nos apresentando imagens como estas. 

Localização das ilhas de lixo

como o lixo se forma

ilha de lixo

Porém, ao longo dos últimos anos vem surgindo uma nova forma de nos relacionarmos com os produtos que consumimos, chamado de consumo colaborativo. A principal característica que define o consumo colaborativo é que as empresas atuantes nessa área entendem que oferecer o ACESSO ao invés da POSSE é mais benéfico tanto para o cliente, como para as implicações sociais, ambientais e econômicas dessa “nova” prática de consumo.

Para ilustrar e facilitar o entendimento sobre o consumo colaborativo irei apresentar o caso do AirBnB, que oferece serviços baseados nos conceitos de consumo colaborativo e no compartilhamento de bens. A empresa criou um conceito totalmente inovador de hospedagem. O serviço funciona da seguinte maneira, se você tem algum quarto ocioso na sua casa, que não esteja sendo usando, por que não ganhar um dinheirinho alugando-o para viajantes do mundo todo?

Quais são as principais vantagens dessa forma de consumo? As implicações sociais são enormes, pois uma vez que você precisa comunicar-se com uma pessoa para realizar a sua “compra” o capital social torna-se principal chave competitiva para que o negócio dê certo, ou seja, é de interesse do próprio AirBnB estimular um melhor relacionamento entre os usuários do site. A principal pegada estratégica do AirBnB foi de notar que existe muito espaço nas cidades que são pouco utilizados, ou seja, por que não ganhar dinheiro alugando um quarto da sua casa que ninguém faz uso? Esse é outro conceito inerente ao consumo colaborativo, diminuir ao máximo a capacidade ociosa de produtos e otimizar a utilização dos recursos que JÁ temos disponíveis.

É importante lembrar que o AirBnB possui um detalhado sistema de confiabilidade entre os usuários, esse sistema é o que viabiliza em grande parte que estranhos aportem mais confiança em outras pessoas. O sistema é bem parecido com o criado pelo Ebay onde os próprios usuários podem classificar como bom ou mal comprador, assim como também deixar algum comentário em relação a atuação do comprador ou vendendor, ou seja, essa forma de métrica é positiva, pois, afasta os possíveis usuários que não tem boas intenções ao utilizar o serviço. Novamente, a necessidade do AirBnb é a de criar uma comunidade de viajantes que confiem em seus membros. Nesse sentido, pode-se afirmar que, o valor da marca AirBnB se traduz como o nível de capital social estimulado pela empresa entre seus usuários, ou seja, a MARCA É A COMUNIDADE.

A forma do AirBnB lucrar com seu serviço é a de receber 6% do valor do alúguel, como taxa de intermediação da troca, e pelos dados apresentados parece que está dando muito certo. Outra característica interessante é que o site não possibilita o cadastro de redes de hoteis entre seus membros, esse fato se dá pois o AirBnB tem como principal foco criar uma economia P2P (peer-to-peer), ou seja, de pessoas para pessoas sem que haja um grande intermediário para viabilizar o consumo, mais uma vez fica evidente a importância estratégica de estimular o capital social entre os usuários do site. Nota-se que após alguns anos de existência o AirBnB é responsável por criar “micromini empreendedores”, ou seja, pessoas que utilizam o dinheiro que ganham alugando seu quarto como forma de complementar a renda.

Quais são os benefícios ambientais e econômicos trazidos pelo AirBnB através do consumo colaborativo? No nível ambiental pode-se afirmar que uma vez que existem maiores usuários e maiores espaços disponíveis para alugar a necessidade de construção de grandes redes hoteleiras é praticamente nula, em NY por exemplo o AirBnB já possui pelo menos 1 usuário em cada esquina da cidade. É importante lembrar ao leitor que como a própria pessoa decide o preço no qual deseja alugar seu quarto, a maioria dos imóveis ofertados no site possuem preços significativamente mais baratos do que as redes hoteleiras, apresentando-se como um importante concorrente frente as grandes franquias de hoteis.

No nível econômico existe um redirecionamento das verbas que antigamente iriam para as redes hoteleiras. Isso é, o consumo colaborativo acaba criando “microminiempreendedores” que agora alugam um quarto da suas casas e utilizam o dinheiro extra como forma de complementar a receita da família. Outro ponto econômico interessante é que devido ao fato de você se hosperdar junto a moradores de determinada região, acaba por ter uma experiência de viagem diferente, uma vez que o morador irá te indicar lugares que não são privilegiados pelos batidos roteiro turísticos, alimentando assim a economia local e apoiando os pequenos comerciantes e empreendedores da região.

É importante aclarar que o AirBnb não é um exemplo isolado de empresa que se baseia no consumo colaborativo. Empresas no ramo de transporteempréstimos financeiros, hospedagem e outros setores estão remodelando os mercados onde atuam através de estratégias que tem como base o consumo colaborativo.

Qual a principal mudança trazida pelo consumo colaborativo? O benefício mais evidente é a reaproximação entre pessoas desconhecidas. Nota-se que as empresas que utilizam estratégias voltadas ao consumo colaborativo tem como principal vantagem competitiva o estímulo ao capital social, ou seja, do ponto de vista estratégico estimular uma boa relação entre os usuários da plataforma é ponto fundamental para o sucesso da marca e da comunidade. Nesse sentido, há uma revalorização no entendimento da importância das relações sociais em nossas vidas.

Outro ponto importante é que através do compartilhamento de produtos, necessita-se menos matéria prima para a produção de novos produto. Dessa forma, surge um novo R no conceito de sustentabilidade, que é a importância dos mercados de Redistribuição. A importância desses mercados é que eles aumentam a vida útil de um produto, maximizando seu tempo de utilização e minimizando as quantidades de produto que iriam para o lixo sem serem posteriormente utilizados, ou seja, os impactos ambientais relacionados ao consumo são significativamente minimizados.

Nota-se que as vantagens trazidas pelo consumo colaborativo podem ser a solução pra muitos dos problemas que temos hoje.

Por Martin Draghi

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Dados sobre a economia colaborativa nos EUA (infográfico feito pela SunRun)

Infográfico criado pela SunRun e Haris Interactive  apresentando novos dados sobre a economia colaborativa.

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Link original – http://www.sunrunhome.com/blog/new-survey-reveals-disownership-is-the-new-normal/

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Seres Sustentáveis

Não há separação entre eu e o planeta. Entre eu e as pessoas. Entre eu, o céu, as rochas,
plantas e animais. Todos somos um. Um grande um.

Quando se fala de sustentabilidade há por trás a crença de que podemos interferir nos
rumos do planeta. Mas isso é uma crença equivocada. Nessa forma, acredita-se que há uma
separação entre eu e o planeta. Que as coisas que acontecem na Terra são reflexos de nossas
ações e que por isso nós podemos parar com este processo.

Mas nesta visão há a crença de separação. O homem fez e faz à Terra e quando quiser pode
mudar suas ações. Esta é uma visão reta, linear, com um direcionamento do homem para
a Terra. Mas esta forma não é linear e, sim, circular. O que é feito com o planeta é reflexo
do que fazemos com nós mesmos. A Terra é um espelho dos homens. Não cuidamos de nós
mesmos. Não cuidamos de nosso corpo. De nossa mente, palavras e ações.

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Há um grande vazio interno. Uma grande corrida para algum lugar, que não sabemos aonde.
Consumimos em busca de algo que não encontramos dentro de nós. De um prazer que não
conseguimos sentir. Destruímos buscando desesperadamente uma nova forma. Destruímos
porque nada nos satisfaz.

O barulho imposto às cidades reflete a falta e o medo do silêncio que sentimos.

A poluição imposta às cidades reflete o lixo mental que impregna as nossas mentes todo o
tempo.

A incapacidade de enxergar os outros seres vivos reflete a cegueira quanto a quem somos nós.

A falta de gratidão pelo que o planeta oferece reflete a impossibilidade de sermos gratos pelas
relações e experiências que vivenciamos.

A Terra é um grande espelho da humanidade. Não há nada fora que não esteja dentro. A dor
que infligimos ao planeta é a mesma dor que infligimos a nós mesmos. O mesmo movimento
de destruição visto do lado de fora é reflexo da insatisfação vivenciada em nossas vidas.

Não temos que salvar a Terra. Temos que salvar a nós mesmos.

Não temos que proteger e amar a Terra. Temos que proteger e amar a nós mesmos.

A Terra é linda. Perfeita. Harmônica. Cheia de vida e graça. Somos assim também. Seres
perfeitos e divinos.

A força da Terra é a força que temos. A beleza da Terra é a beleza que somos.

A capacidade de autossustentação que a Terra tem também está em nós. Por que é tão difícil
percebemos que já temos tudo o que precisamos?

Quando nós nos reconhecermos no planeta, perceberemos o quão divinos somos. Ela nós
oferece tudo. Do alimento, ao ar, às experiências. Também temos tudo dentro de nós. A paz
que almejamos, o amor que buscamos e o conforto e o senso de pertencimento que seguimos.

Ao nos aquietarmos, percebemos que somos sustentáveis. Sustentáveis, como a mãe Terra.

Não há nenhum lugar para ir, o que buscar fora. Está tudo aqui, dentro de nós. Está tudo
aqui, no planeta que moramos. A melhor comida vem da Terra. O melhor ar, a melhor água, a
melhor sombra. O calor que precisamos, o solo para servir de base de nossa experiências, os
seres a nossa volta para trocarmos e aprendermos.

O silêncio mais vivo está em nós. O maior e mais bonito amor que buscamos está em
nós. O aconchego e a proteção que buscamos, é encontrada dentro de nós. Precisamos
ser sustentáveis como seres divinos que somos. E então, não se falará mais sobre
sustentabilidade. Pois tudo será uma coisa só.

Por Ana Paula Borges, instrutora de meditação, professora de marketing na FGV e ESPM-RJ e MÃE

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Love Home Swap – Compartilhe sua casa e conheça lugares incríveis

A plataforma colaborativa do dia é a Love Home Swap.

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A ideia central do Love Home Swap é aproximar pessoas que tenham interesse em “trocar” suas casas em datas comemorativas e/ou em suas férias. Diferente do conceito do AirBnB, no qual você aluga seu quarto para viajantes de todo o mundo, o Love Home Swap tem como objetivo aproximar pessoas que queiram conhecer novos locais sem ter que gastar muito dinheiro com isso.

Funciona da seguinte maneira:

Imagine que você mora no Rio de Janeiro e quer conhecer Paris, porém, não tem condições financeiras para bancar todos os custos de locomoção, hospedagem e de turismo. Buscando alternativas para viabilizar sua viagem, você se cadastra no Love Home Swap e disponibiliza sua casa para pessoas interessadas em conhecer o Rio de Janeiro e que tenham casa em Paris. Após conhecer um usuário residente de Paris que queira “trocar” sua casa por uma hospedagem no Rio de Janeiro vocês iniciam os primeiros contatos via Skype para construir um maior senso de confiança entre cada um e realizar a troca de forma mais tranquila possível. Pronto, através da troca/compartilhamento você conseguiu viabilizar sua viagem de forma muito mais econômica.

Qual o custo disso tudo? Apenas U$ 1,00, que é o valor cobrado pelo site para que você se torne um usuário.

Incrível, não é?

Vale lembrar que o site também disponibiliza a oportunidade de inscrever-se como usuário premium. As vantagens de ser premium é que haverá uma equipe da plataforma voltada a construir rotas de viagens de acordo com seu perfil, assim como dicas regionais para um melhor aproveitamento da viagem.

Recentemente, o Love Home Swap recebeu a quantia de U$1,28 milhão do fundo de investimento MMC Ventures que serão utilizados para aumentar a base de clientes, criar uma linha de seguros específica para o site que aumente a confiança entre os usuários da plataforma e a realização de uma integração do LoveHomeSwap com as redes sociais.

Um dos pontos decisivos para a MMC Ventures investir na plataforma são dados de pesquisas demonstrando que o número de pessoas interessadas em trocar suas casa no Reino Unido duplicou em apenas um ano, saltando de 1,6 milhão para 3,2 milhões de potenciais usuários.

Essas pesquisas apontam o que o Sustentabilidade Colaborativa tem como crença. O futuro será baseado plenamente no compartilhamento de quase todos nossos bens, inclusive os quais temos maior apego emocional, seja nosso carro ou até mesmo como no case acima nossas próprias casas. Imaginem a integração dos bairros e o esplendoroso aumento das riquezas de nossas relações pessoais daqui a 10 ou 15 anos. O mundo está caminhando para o compartilhamento e para a colaboração, não se trata mais de modismo, mas sim de uma tendência que veio para revolucionar as relações sociais, o entendimento das “regras” dos mercados e principalmente um entendimento de que Nós é mais forte do que o Eu.

Por Martin Draghi

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“Capitalismo Infantil” e a puberdade colaborativa

Sabe aquele estágio que vivemos na infância em que afirmarmos que tudo é nosso? Qualquer compartilhamento de nossos brinquedos é rapidamente respondido com uma crise de choro seguido das palavras “é meu, é meu”? Essa atitude levanta algumas questões, seria o egoísmo um sentimento natural do ser humano ou algo causado única exclusivamente pelo o meio no qual vivemos, extremamente marcado pela concorrência em seus diversos níveis educacionais, corporativos ou sociais?

Analisando a sociedade de consumo, pode-se afirmar uma questão extravagante. Nos últimos 60 anos vivemos no que gosto de chamar de “capitalismo infantil”. Explico-me: todos nós temos hábitos de consumo egoístas, raramente vemos propagandas de automóveis que estimulem a prática da carona (por motivos óbvios); poucas são às vezes as quais nos deparamos com encontros de pessoas que vivem no mesmo condomínio; não é raro que grande parte das pessoas não saiba nem o nome de seus vizinhos. Essas são as claras consequências da publicidade voltada para o Eu, onde o “NÓS” não faz parte da arena midiática.

Isso é, assim como a fase da infância que mencionei no início do texto, temos uma grande dificuldade e uma falta de costume muito grande em relação ao compartilhamento de nossos bens. O que nos leva a inevitável pergunta, por que optamos por uma sociedade tão isolada, egoísta e plenamente baseada no individualismo? Tenho minhas dúvidas se realmente optamos por esse modelo, ou se ele nos foi puramente imposto.

Para motivos de esclarecimentos, não estou demonizando as pessoas tidas como consumistas, o problema é que diferente do pensamento de muitos economistas neoliberais não podemos mais nos dar ao luxo de consumirmos de forma isolada, egoísta e ilimitada, não temos condições materiais, e muito menos sociais para suportar tal modelo de desenvolvimento.

Felizmente, a sociedade individualista catalisada pelas megacorporações e suas incessantes estratégias publicitárias está pouco a pouco encontrando – através das redes sociais, tecnologias móveis e um maior nível de consciência coletivo – uma nova maneira de nos relacionar com o meio no qual vivemos, através de um conceito antigo, porém extremamente fresco nos dias de hoje: a colaboração

A colaboração, tão esquecida no “capitalismo infantil”, surge novamente não como uma novidade, mas como um modelo de desenvolvimento no qual podemos realmente atingir níveis sustentáveis de convivência sem a necessidade de grandes sacrifícios de nossas partes, o aparecimento de modelos de negócios baseados na colaboração confirmam os pontos citados acima.

Para melhor ilustrar os pontos que defendo acima irei apresentar alguns casos interessantes, no qual, através da tecnologia podemos nos unir por uma causa comum e realmente iniciarmos um processo no qual os cidadãos tem de volta seu poder de decisão no território onde vivem, e não apenas esperar de braços cruzados ações governamentais etiquetadas como únicas soluções possíveis.

O movimento Crowdfunding, que tem como objetivo o financiamento coletivo para projeto alcançou metas incríveis. Um exemplo na área social é o site juntos.com.vc. Um dos projetos mais interessantes encontrados na plataforma é o Escola de Resiliência Azul, que tem como objetivo financiar uma semestre de educação diferenciada, baseadas nos conceitos da antropofasia da pedagogia Waldorf beneficiando cerca de 105 crianças carentes. O projeto teve uma taxa de sucesso de 118%, ultrapassando a meta inicial de RS10.800,00 para R$12.750,00. Em média, os 119 contribuintes do projeto ajudaram com a quantia de R$107,00 para fornecer educação de excelente qualidade para crianças de baixa renda. Segue abaixo o vídeo para conhecerem um pouco mais da Escola

Um ponto valioso no conceito de financiamento coletivo, é que a origem do dinheiro não está atrelada a nenhuma entidade pública ou privada, o que por si só dá uma maior flexibilidade para que o projeto tenha liberdade para gerir o dinheiro recebido sem maiores “amarras” dos financiadores, sejam do setor privado ou público, o qual, é comum intrometer-se quando realizam ações “filantrópicas”.

Outro caso interessante, voltada a área corporativa, é a ascensão das plataformas de compartilhamento de carros. Um grande exemplo é a empresa Relay Rides, onde você pode alugar o seu carro no momento que quiser para outro usuário da plataforma. Funciona da seguinte maneira. Você se cadastra no site e inclui o preço e o horário no qual pode emprestar seu carro, a empresa instala um dispositivo no qual o locatário pode abrir seu carro através do smartphone e voilá, você está fazendo dinheiro com um bem que antes ficava parado 20 horas por dia em sua garagem. Vale lembrar, que a Relay Rides tem um seguro equivalente a US$ 1milhão caso aconteça algum problema durante a viagem, dessa forma, tanto locatário como quem aluga ficam tranquilos. Novamente, a tecnologia amadurecendo o capitalismo infantil e nos reunindo para colaborarmos de formas mais inteligentes.

E os exemplos não param por aí, além de compartilhamento de carros, também temos o compartilhamento de espaços como o Couchsurfing (de graça), AirBnb, Fica Lá Em Casa, compartilhamento de roupas para bebes como thredup e o brasileiro bbbrecho entre outros que estão aparecendo todos os dias.

Notadamente, o capitalismo substitui os berros egoícos de “é meu, é meu” citados no início do texto e começa a compartilhar os bens criados pelo seu próprio sistema. O consumo colaborativo é nada mais do que a reorganização  e a revisão da forma como encaramos o consumo e das questões que realmente importam. Diferente do que vemos na TV, um carro, uma geladeira, ou qualquer outro produto dificilmente preencherá o espaço que deve ser ocupado pela felicidade.

Por Martin Draghi 

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Quer explicar a Economia Colaborativa pros seus amigos?

Sabendo da dificuldade de definirmos e apresentarmos para outras pessoas o conceito de Economia Colaborativa, criei um infográfico para facilitar o entendimento dessa nova economia.

Espero que gostem!

Por Martin Draghi

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Consumo colaborativo e o retorno do poder de barganha do cliente!

Embora nos últimos posts tenha apresentado aos leitores algumas das plataformas que viabilizam o consumo colaborativo, o post desta semana terá outro enfoque. Para os apaixonados pela economia do compartilhamento e os modelos de negócios baseados na colaboração é irresistível não pensar quais serão as consequências da expansão do consumo colaborativo para diversos segmentos de mercado.

Analisando os novos modelos de negócios com as ferramentas tradicionais de gestão e de marketing podemos fazer certas afirmações e buscar entender de forma mais assertiva qual seu real impacto na forma como as empresas serão geridas e, principalmente, o retorno do poder de barganha do consumidor. Nesse sentido, é importante apresentar a mudança no papel das empresas e principalmente no papel desempenhado pelo consumidor para o sucesso da empresa.

O que temos visto nos modelos baseados no consumo colaborativo, é que a empresa não cria novos produtos ou serviços, mas oferece uma plataforma na qual novas interações e possibilidades são efetivamente realizadas, tendo a tecnologia como principal ponto de validação dessas interações. Em outras palavras, é criado um espaço de relacionamento entre os próprios usuários onde a delimitação de poder pelo “território” criado pela empresa é compartilhado entre seus participantes.

Nos modelos P2P a tendência da empresa servir única e exclusivamente como espaço que aglomera pessoas que possuem interesses parecidos é ainda mais marcante, e tem como principal fator o aumento do capital social, pessoas que antes não se conheciam, iniciam novas relações através dessas plataformas, um claro exemplo é o próprio Relay Rides.

É como se houvesse uma redefinição do papel da empresa, sendo vista mais como intermediário que valida as potenciais interações dos consumidores do que com o arcaico modelo de introdução de produtos e serviços novos a cada “campanha de marketing”. O poder de barganha é plenamente devolvido ao consumidor.

Nesse contexto no qual o poder de barganha do consumidor tende a ser a palavra de ordem, cenários que antigamente eram vistos como utópicos iniciam uma transformação que poderá impactar de forma significativa tanto as relações humanas (devido ao aumento do capital social) como a competitividade das empresas.

Vale ressaltar, que a cerca de 5 anos atrás muitas dessas plataformas de consumo colaborativo que existem hoje não poderiam sequer ser imaginadas, pois, a tecnologia (principalmente internet móvel)e a evolução das redes sociais ainda não estavam suficientemente maduras para receberem esses novos modelos de negócios baseados nos conceitos do consumo colaborativo.

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