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A revolução colaborativa e o nascimento de um novo paradigma

Um dos períodos que mudaram o rumo das relações humanas foi a Revolução Indústrial. A melhora nos processos produtivos das fábricas e a inserção de novas tecnologias modificaram de forma significativa a dinâmica econômica e social dos países do mundo todo, e teve como principal consequência o nascimento de uma nova relação entre capital e o trabalho. Aliada as novas tecnologias industriais a publicidade também teve papel fundamental na construção de uma cultura, que tinha como principal característica a notória padronização de comportamentos através dos aparatos midiáticos. Outro papel importantíssimo da publicidade era atribuir valor simbólico aos produtos que eram vendidos, assim, com todos os mecanismos de persuassão os clientes eram levados a crer que realmente estavam consumindo mais do que um simples produto, estavam na verdade consumindo também uma imagem que traduzisse seus valores e pensamentos frente aos demais atores da sociedade, nasce a sociedade marcada pelo prenchimento de necessidades egóicas. Um aspecto importante em relação ao nascimento da cultura do consumo em massa, é que houve uma resignificação e uma revalorização dos valores sociais, assim, status, exclusividade, sensação de pertencimento de algum grupo através do consumo e outros valores essencialmente voltados para a alimentação do ego ganharam uma maior importância no tecido social, e começaram a serem vistos como indicadores de sucesso pessoal.

Porém, de alguma forma a realização do processo de compra e de obtenção de produtos tomou um rumo extremamente marcado pelo egoísmo, ou seja, os consumidores não levavam em conta os malefícios ambientais, sociais e econômicos implicados no ato de consumir, até por que estes fatos não tinham a devida atenção que mererciam. Os produtos eram vendidos de forma unitária, a serem adquiridos e consumidos individualmennte, não houve nenhuma preocupação em entender melhor os limites de recursos que tinhamos disponíveis, com isso as implicações negativas de instituirmos uma sociedade totalmente direcionado e alimentada para o consumo estão cada dia mais óbvias.

A poluição alcançou níveis insustentáveis, a produção de valores criados pela cultura de massa através do consumo são totalmente distorcidos das reais necessidades que temos em nossas vidas e nossas relações sociais foram se deteriorando. Uma excelente forma de traduzir uma das consequências do consumo ilimitado é a formação das chamadas “ilhas de lixo”, que são locais nos oceanos onde a concentração de lixo é tão grande que infelizmente acaba nos apresentando imagens como estas. 

Localização das ilhas de lixo

como o lixo se forma

ilha de lixo

Porém, ao longo dos últimos anos vem surgindo uma nova forma de nos relacionarmos com os produtos que consumimos, chamado de consumo colaborativo. A principal característica que define o consumo colaborativo é que as empresas atuantes nessa área entendem que oferecer o ACESSO ao invés da POSSE é mais benéfico tanto para o cliente, como para as implicações sociais, ambientais e econômicas dessa “nova” prática de consumo.

Para ilustrar e facilitar o entendimento sobre o consumo colaborativo irei apresentar o caso do AirBnB, que oferece serviços baseados nos conceitos de consumo colaborativo e no compartilhamento de bens. A empresa criou um conceito totalmente inovador de hospedagem. O serviço funciona da seguinte maneira, se você tem algum quarto ocioso na sua casa, que não esteja sendo usando, por que não ganhar um dinheirinho alugando-o para viajantes do mundo todo?

Quais são as principais vantagens dessa forma de consumo? As implicações sociais são enormes, pois uma vez que você precisa comunicar-se com uma pessoa para realizar a sua “compra” o capital social torna-se principal chave competitiva para que o negócio dê certo, ou seja, é de interesse do próprio AirBnB estimular um melhor relacionamento entre os usuários do site. A principal pegada estratégica do AirBnB foi de notar que existe muito espaço nas cidades que são pouco utilizados, ou seja, por que não ganhar dinheiro alugando um quarto da sua casa que ninguém faz uso? Esse é outro conceito inerente ao consumo colaborativo, diminuir ao máximo a capacidade ociosa de produtos e otimizar a utilização dos recursos que JÁ temos disponíveis.

É importante lembrar que o AirBnB possui um detalhado sistema de confiabilidade entre os usuários, esse sistema é o que viabiliza em grande parte que estranhos aportem mais confiança em outras pessoas. O sistema é bem parecido com o criado pelo Ebay onde os próprios usuários podem classificar como bom ou mal comprador, assim como também deixar algum comentário em relação a atuação do comprador ou vendendor, ou seja, essa forma de métrica é positiva, pois, afasta os possíveis usuários que não tem boas intenções ao utilizar o serviço. Novamente, a necessidade do AirBnb é a de criar uma comunidade de viajantes que confiem em seus membros. Nesse sentido, pode-se afirmar que, o valor da marca AirBnB se traduz como o nível de capital social estimulado pela empresa entre seus usuários, ou seja, a MARCA É A COMUNIDADE.

A forma do AirBnB lucrar com seu serviço é a de receber 6% do valor do alúguel, como taxa de intermediação da troca, e pelos dados apresentados parece que está dando muito certo. Outra característica interessante é que o site não possibilita o cadastro de redes de hoteis entre seus membros, esse fato se dá pois o AirBnB tem como principal foco criar uma economia P2P (peer-to-peer), ou seja, de pessoas para pessoas sem que haja um grande intermediário para viabilizar o consumo, mais uma vez fica evidente a importância estratégica de estimular o capital social entre os usuários do site. Nota-se que após alguns anos de existência o AirBnB é responsável por criar “micromini empreendedores”, ou seja, pessoas que utilizam o dinheiro que ganham alugando seu quarto como forma de complementar a renda.

Quais são os benefícios ambientais e econômicos trazidos pelo AirBnB através do consumo colaborativo? No nível ambiental pode-se afirmar que uma vez que existem maiores usuários e maiores espaços disponíveis para alugar a necessidade de construção de grandes redes hoteleiras é praticamente nula, em NY por exemplo o AirBnB já possui pelo menos 1 usuário em cada esquina da cidade. É importante lembrar ao leitor que como a própria pessoa decide o preço no qual deseja alugar seu quarto, a maioria dos imóveis ofertados no site possuem preços significativamente mais baratos do que as redes hoteleiras, apresentando-se como um importante concorrente frente as grandes franquias de hoteis.

No nível econômico existe um redirecionamento das verbas que antigamente iriam para as redes hoteleiras. Isso é, o consumo colaborativo acaba criando “microminiempreendedores” que agora alugam um quarto da suas casas e utilizam o dinheiro extra como forma de complementar a receita da família. Outro ponto econômico interessante é que devido ao fato de você se hosperdar junto a moradores de determinada região, acaba por ter uma experiência de viagem diferente, uma vez que o morador irá te indicar lugares que não são privilegiados pelos batidos roteiro turísticos, alimentando assim a economia local e apoiando os pequenos comerciantes e empreendedores da região.

É importante aclarar que o AirBnb não é um exemplo isolado de empresa que se baseia no consumo colaborativo. Empresas no ramo de transporteempréstimos financeiros, hospedagem e outros setores estão remodelando os mercados onde atuam através de estratégias que tem como base o consumo colaborativo.

Qual a principal mudança trazida pelo consumo colaborativo? O benefício mais evidente é a reaproximação entre pessoas desconhecidas. Nota-se que as empresas que utilizam estratégias voltadas ao consumo colaborativo tem como principal vantagem competitiva o estímulo ao capital social, ou seja, do ponto de vista estratégico estimular uma boa relação entre os usuários da plataforma é ponto fundamental para o sucesso da marca e da comunidade. Nesse sentido, há uma revalorização no entendimento da importância das relações sociais em nossas vidas.

Outro ponto importante é que através do compartilhamento de produtos, necessita-se menos matéria prima para a produção de novos produto. Dessa forma, surge um novo R no conceito de sustentabilidade, que é a importância dos mercados de Redistribuição. A importância desses mercados é que eles aumentam a vida útil de um produto, maximizando seu tempo de utilização e minimizando as quantidades de produto que iriam para o lixo sem serem posteriormente utilizados, ou seja, os impactos ambientais relacionados ao consumo são significativamente minimizados.

Nota-se que as vantagens trazidas pelo consumo colaborativo podem ser a solução pra muitos dos problemas que temos hoje.

Por Martin Draghi

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Love Home Swap – Compartilhe sua casa e conheça lugares incríveis

A plataforma colaborativa do dia é a Love Home Swap.

lvoa

A ideia central do Love Home Swap é aproximar pessoas que tenham interesse em “trocar” suas casas em datas comemorativas e/ou em suas férias. Diferente do conceito do AirBnB, no qual você aluga seu quarto para viajantes de todo o mundo, o Love Home Swap tem como objetivo aproximar pessoas que queiram conhecer novos locais sem ter que gastar muito dinheiro com isso.

Funciona da seguinte maneira:

Imagine que você mora no Rio de Janeiro e quer conhecer Paris, porém, não tem condições financeiras para bancar todos os custos de locomoção, hospedagem e de turismo. Buscando alternativas para viabilizar sua viagem, você se cadastra no Love Home Swap e disponibiliza sua casa para pessoas interessadas em conhecer o Rio de Janeiro e que tenham casa em Paris. Após conhecer um usuário residente de Paris que queira “trocar” sua casa por uma hospedagem no Rio de Janeiro vocês iniciam os primeiros contatos via Skype para construir um maior senso de confiança entre cada um e realizar a troca de forma mais tranquila possível. Pronto, através da troca/compartilhamento você conseguiu viabilizar sua viagem de forma muito mais econômica.

Qual o custo disso tudo? Apenas U$ 1,00, que é o valor cobrado pelo site para que você se torne um usuário.

Incrível, não é?

Vale lembrar que o site também disponibiliza a oportunidade de inscrever-se como usuário premium. As vantagens de ser premium é que haverá uma equipe da plataforma voltada a construir rotas de viagens de acordo com seu perfil, assim como dicas regionais para um melhor aproveitamento da viagem.

Recentemente, o Love Home Swap recebeu a quantia de U$1,28 milhão do fundo de investimento MMC Ventures que serão utilizados para aumentar a base de clientes, criar uma linha de seguros específica para o site que aumente a confiança entre os usuários da plataforma e a realização de uma integração do LoveHomeSwap com as redes sociais.

Um dos pontos decisivos para a MMC Ventures investir na plataforma são dados de pesquisas demonstrando que o número de pessoas interessadas em trocar suas casa no Reino Unido duplicou em apenas um ano, saltando de 1,6 milhão para 3,2 milhões de potenciais usuários.

Essas pesquisas apontam o que o Sustentabilidade Colaborativa tem como crença. O futuro será baseado plenamente no compartilhamento de quase todos nossos bens, inclusive os quais temos maior apego emocional, seja nosso carro ou até mesmo como no case acima nossas próprias casas. Imaginem a integração dos bairros e o esplendoroso aumento das riquezas de nossas relações pessoais daqui a 10 ou 15 anos. O mundo está caminhando para o compartilhamento e para a colaboração, não se trata mais de modismo, mas sim de uma tendência que veio para revolucionar as relações sociais, o entendimento das “regras” dos mercados e principalmente um entendimento de que Nós é mais forte do que o Eu.

Por Martin Draghi

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“Capitalismo Infantil” e a puberdade colaborativa

Sabe aquele estágio que vivemos na infância em que afirmarmos que tudo é nosso? Qualquer compartilhamento de nossos brinquedos é rapidamente respondido com uma crise de choro seguido das palavras “é meu, é meu”? Essa atitude levanta algumas questões, seria o egoísmo um sentimento natural do ser humano ou algo causado única exclusivamente pelo o meio no qual vivemos, extremamente marcado pela concorrência em seus diversos níveis educacionais, corporativos ou sociais?

Analisando a sociedade de consumo, pode-se afirmar uma questão extravagante. Nos últimos 60 anos vivemos no que gosto de chamar de “capitalismo infantil”. Explico-me: todos nós temos hábitos de consumo egoístas, raramente vemos propagandas de automóveis que estimulem a prática da carona (por motivos óbvios); poucas são às vezes as quais nos deparamos com encontros de pessoas que vivem no mesmo condomínio; não é raro que grande parte das pessoas não saiba nem o nome de seus vizinhos. Essas são as claras consequências da publicidade voltada para o Eu, onde o “NÓS” não faz parte da arena midiática.

Isso é, assim como a fase da infância que mencionei no início do texto, temos uma grande dificuldade e uma falta de costume muito grande em relação ao compartilhamento de nossos bens. O que nos leva a inevitável pergunta, por que optamos por uma sociedade tão isolada, egoísta e plenamente baseada no individualismo? Tenho minhas dúvidas se realmente optamos por esse modelo, ou se ele nos foi puramente imposto.

Para motivos de esclarecimentos, não estou demonizando as pessoas tidas como consumistas, o problema é que diferente do pensamento de muitos economistas neoliberais não podemos mais nos dar ao luxo de consumirmos de forma isolada, egoísta e ilimitada, não temos condições materiais, e muito menos sociais para suportar tal modelo de desenvolvimento.

Felizmente, a sociedade individualista catalisada pelas megacorporações e suas incessantes estratégias publicitárias está pouco a pouco encontrando – através das redes sociais, tecnologias móveis e um maior nível de consciência coletivo – uma nova maneira de nos relacionar com o meio no qual vivemos, através de um conceito antigo, porém extremamente fresco nos dias de hoje: a colaboração

A colaboração, tão esquecida no “capitalismo infantil”, surge novamente não como uma novidade, mas como um modelo de desenvolvimento no qual podemos realmente atingir níveis sustentáveis de convivência sem a necessidade de grandes sacrifícios de nossas partes, o aparecimento de modelos de negócios baseados na colaboração confirmam os pontos citados acima.

Para melhor ilustrar os pontos que defendo acima irei apresentar alguns casos interessantes, no qual, através da tecnologia podemos nos unir por uma causa comum e realmente iniciarmos um processo no qual os cidadãos tem de volta seu poder de decisão no território onde vivem, e não apenas esperar de braços cruzados ações governamentais etiquetadas como únicas soluções possíveis.

O movimento Crowdfunding, que tem como objetivo o financiamento coletivo para projeto alcançou metas incríveis. Um exemplo na área social é o site juntos.com.vc. Um dos projetos mais interessantes encontrados na plataforma é o Escola de Resiliência Azul, que tem como objetivo financiar uma semestre de educação diferenciada, baseadas nos conceitos da antropofasia da pedagogia Waldorf beneficiando cerca de 105 crianças carentes. O projeto teve uma taxa de sucesso de 118%, ultrapassando a meta inicial de RS10.800,00 para R$12.750,00. Em média, os 119 contribuintes do projeto ajudaram com a quantia de R$107,00 para fornecer educação de excelente qualidade para crianças de baixa renda. Segue abaixo o vídeo para conhecerem um pouco mais da Escola

Um ponto valioso no conceito de financiamento coletivo, é que a origem do dinheiro não está atrelada a nenhuma entidade pública ou privada, o que por si só dá uma maior flexibilidade para que o projeto tenha liberdade para gerir o dinheiro recebido sem maiores “amarras” dos financiadores, sejam do setor privado ou público, o qual, é comum intrometer-se quando realizam ações “filantrópicas”.

Outro caso interessante, voltada a área corporativa, é a ascensão das plataformas de compartilhamento de carros. Um grande exemplo é a empresa Relay Rides, onde você pode alugar o seu carro no momento que quiser para outro usuário da plataforma. Funciona da seguinte maneira. Você se cadastra no site e inclui o preço e o horário no qual pode emprestar seu carro, a empresa instala um dispositivo no qual o locatário pode abrir seu carro através do smartphone e voilá, você está fazendo dinheiro com um bem que antes ficava parado 20 horas por dia em sua garagem. Vale lembrar, que a Relay Rides tem um seguro equivalente a US$ 1milhão caso aconteça algum problema durante a viagem, dessa forma, tanto locatário como quem aluga ficam tranquilos. Novamente, a tecnologia amadurecendo o capitalismo infantil e nos reunindo para colaborarmos de formas mais inteligentes.

E os exemplos não param por aí, além de compartilhamento de carros, também temos o compartilhamento de espaços como o Couchsurfing (de graça), AirBnb, Fica Lá Em Casa, compartilhamento de roupas para bebes como thredup e o brasileiro bbbrecho entre outros que estão aparecendo todos os dias.

Notadamente, o capitalismo substitui os berros egoícos de “é meu, é meu” citados no início do texto e começa a compartilhar os bens criados pelo seu próprio sistema. O consumo colaborativo é nada mais do que a reorganização  e a revisão da forma como encaramos o consumo e das questões que realmente importam. Diferente do que vemos na TV, um carro, uma geladeira, ou qualquer outro produto dificilmente preencherá o espaço que deve ser ocupado pela felicidade.

Por Martin Draghi 

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Abdicando da propriedade e privilegiando o acesso – A experiência ZipCar

Durante muitos anos o carro foi um dos principais desejos de consumo de jovens que estão iniciando a sua independência financeira. Simbolo de status e de progresso, o carro sempre foi propagandeado como produto que traria mais liberdade e identidade ao seu usuário.

Nesse sentindo, todas as publicidades criadas para incentivar a compra do automóvel eram plenamente baseadas em fornecer benefícios funcionais (maior facilidade de transporte) , mas essencialmente benefícios ego-emocionais (status, simbolo de progresso econômico e ser melhor visto pelo outro).

Através dessa lógica, não é de se estranhar que poucas pessoas tenham o costume de emprestar seus carros ou de dar caronas a pessoas que trabalham e moram próximas umas das outras, novamente a sociedade de consumo criou um ambiente onde o Eu prevalece sobre todas e quaisquer formas de expressão da coletividade.

Porém, a nova geração do compartilhamento, está repensando a real utilidade dos carros e se realmente necessitam possuir um carro

Um estudo feito pela Universidade de Michigan demonstra que jovens norte  americanos e europeus possuem um desejo menor de serem proprietários de um carro do que as gerações antigas. A pesquisa aponta que muitos desses jovens estão privilegiando empresas de compartilhamento de carros e vendo a ideia de possuir um automóvel de forma menos romântica.

É nesse contexto que foi criada a ZIPCAR. Para quem não conhece a empresa ou nunca escutou falar, vou relatar como é a experiência de utilizar um serviço altamente customizado e que atende todas as necessidades que um carro poderia atender.

Imagina a seguinte situação,

Você está na praia e deseja ir visitar um amigo que mora a meia hora de distância do local em que você está e não possui um carro. Lembrando da existência do ZipCar você baixa o aplicativo da empresa  e já escolhe um carro que será seu parceiro de viagem até a residência do seu amigo, o pagamento é realizado pelo próprio celular e o local onde existe um automóvel mais perto será indicado por você através da ferramenta de geolocalização do aplicativo.

Após realizar o pagamento, o aplicativo gerará uma senha. Ao caminhar até o carro, você passa a senha em um leitor que está localizado perto do para brisa do automóvel e ele será destravado. Pronto, você tem acesso a um carro até determinada localidade. O aplicativo foi tão bem desenhado que assim que você está chegando ao seu destino final, ele te apresenta uma série de estacionamentos da empresa onde você pode deixar o carro, possibilitando que outra pessoa o utilize em outro horário.

A ideia é tão simples e fantástica que vem crescendo de forma significativa nos mercados europeus e norte-americanos. Pode-se afirmar que do ponto de vista de mercado as empresas como ZipCar e Relay Rides que tem o mesmo conceito no core do seu negócio baseiam-se em três pilares principais:

Tecnologia móvel (aplicativos e geolocalização) como propulsora de novos negócios;

Acesso descomplicado e simples;

Baixo custo de acesso em comparação com o “custo de propriedade”;

Levando em conta que um norte-americano gasta mais de US$8 mil dólares anualmente para manter seu carro em boas condições não é de se espantar que as pessoas estão migrando para um economia de compartilhamento que privilegia o acesso e abdicando da propriedade dos produtos, é nesse sentido que nasceram as empresas de compartilhamento de carros. A lógica baseia-se tanto em premissas financeiras como em benefícios diretos, onde e quando o usuário quiser terá um carro a disposição.

Com esse enfoque, pode-se afirmar que os mercados onde a economia de compartilhamento terá maior sucesso se situa nos produtos que possuem um alto custo de compra e uma baixa frequência de uso.

Porém, a ZipCar ao notar a forte adesão de usuários aos seus serviços quis entender de forma mais profunda a relação do carro com seu usuários e realizou uma pesquisa onde 250 participantes autoproclamados “amantes de carros” em mais de 13 cidades diferentes aceitaram o desafio proposto pela empresa. A ZipCar fez uma proposta aos apaixonados por carros, a de abdicar das chaves de seus automóveis e apenas poder pedalar, andar e se transportar com meios públicos e apenas utilizar os serviços do ZipCar quando achassem absolutamente necessário. Os resultados da pesquisa foram extramente inesperados levando em conta o corte psicográfico (apaixonados por seus veículos próprios) dos participantes. Dos 250 participantes houve uma queda de 87 kilos apenas com os exercícios diários, o dado mais impressionante da pesquisa é que 100% dos participantes não quiseram suas chaves de volta. Em outras palavras, a experiência fornecida pela ZipCar fez com que os apaixonados por carros notassem a idéia de propriedade de um veículo de forma menos romântica, valorizando o acesso do carro no momento exato em que sentiam esse desejo.

Essa pesquisa demonstra que a propriedade está perdendo lugar para o acesso imediato e em qualquer lugar. Algumas empresas automobilísticas estão de olho no futuro e já investem no modelo de compartilhamento de carros, como é o caso da GM que foi uma das principais investidoras do RELAY RIDES. Embora pareça uma pouco contraditório uma empresa que sobrevive através da produção e consumo de carros apoiar esse novo tipo de modelo, esse ponto também demonstra que as empresas estão abertas as novidades do mercado e dos consumidores. Lutar contra a maré nunca trouxe bons resultados no setor corporativo, o poder de flexibilidade para as mudanças sempre foi ponto crucial para a sobrevivência de empresas em diversos segmentos.

Os dados apresentados por Neal Lawson em seu livro “All Consuming” demonstram que em 2015, estima-se que 4,4 milhões de pessoas na América do Norte e 5,5 milhões na Europa esteja usando o ZIPCAR.

Nesse contexto, deixo os leitores pensando sobre  os benefícios ambientais e sociais sobre as plataformas de consumo colaborativo. A ideia de não possuir um carro e poder contar com o acesso de um automóvel a qualquer momento traz uma nova dinâmica de mercado e diminui nossa relação egoica com os automóveis.

Deixo um infográfico que explica com dados e informações relevantes sobre como o compartilhamento de carros vem crescendo de forma exponencial nos mercados norte-americanos e europeus

http://futureofcarsharing.com/

Abraços a todos!

Por Martin Draghi

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O nascimento da contra cultura holandesa e a relação atual com o sistema de compartilhamento de bicicletas

Nos meus períodos de preocupação por duvidar se tinha escolhido a carreira que realmente desejava, sempre buscava por conteúdo que me mostrassem algo novo, algo que fosse totalmente diferente do consumismo exagerado e a alienação do indivíduo quanto a necessidade de sempre buscar no consumo exacerbado sua forma de viver e de formar uma identidade própria.

Nesses momentos me pegava nas grandes livrarias do Centro do Rio de Janeiro procurando qualquer material que a primeira vista me parecesse interessante.

Eis que numa dessas incursões encontrei um livro que realmente me deixou encantando quanto a preocupação e participação ativa de um grupo de holandeses anarquistas  denominado Provos na construção da sociedade holandesa.

A atuação dos Provos em Amsterdam se deu de diversas formas de atuação, sempre utilizando a criatividade e os “happenings” – que eram manifestações artísticas extravagantes em local público – para alcançar os objetivos que tinham de criar uma sociedade mais igualitária. Existiam algumas idéias que foram lançadas pelos próprios Provos denominadas Plano Branco.

Entre os planos brancos, existia um em específico que é foco deste post. O Plano Bicleta Branca.

Antes de iniciar a explicação do Plano Bicicleta Branca gostaria de demonstrar em qual contexto social e mercadológico esse tipo de ação teve início e como ele teve forte influência na importância que os holandeses dão atualmente para as bicicletas como forma de locomoção não-poluente.

O ano é 1960, época que a indústria automobilística nota um crescimento substancial em suas vendas. Nesse sentido, o carro era visto como um objeto de status e principalmente de “progresso” entre seus usuários, ter um carro adquiria um valor simbólico ao ser e alimentava a ideia de que era impossível se locomover em um meio de transporte que não tivesse 4 rodas.

Ou seja, nos anos 60, lutar contra o automóvel era algo inédito, uma blasfêmia contra “as maravilhas do progresso”. Em pleno boom automobilístico, a tribo dos Provos tinha clarividência de recusar o culto as quatro rodas e de propor a bicicleta como santo instrumento tribal, reivindicando o direito de andar de bicicleta pela cidade sem serem ameaçados fisicamente por um “bando de psicopatas agressivos, trancafiados numa peidorrenta caixa de ferro” de acordo com as palavras dos Provos. E reivindicando, acima de tudo o direito e o prazer de não seguirem os modelos de consumo, o direito de não consumir.

Abaixo, segue o material que foi divulgado pelos Provos em seu jornal. O texto é longo, mas é incrivelmente racional se levamos em conta o contexto em que foi escrito. A clareza que os Provos tinham em relação a ameaça que os carros trariam tanto para o convício social como para o meio ambiente é incrivelmente atrativa.

Plano Bicicletas Brancas

Apesar de termos o burgomestre que Deus nos deus, milhares de funcionários científicos, mais capital, mais “Bem Comum, e mais “Democracia” do que nunca, temos que constatar que:

-Toneladas de gases venenosos são produzidos e difundidos no espaço vital de quase um milhão de habitantes.

– Ruas e calçadas desparecem sob as “caixas de ostentação de status”.

– Centenas de mortos e milhares de feridos são sacrificados ao desleixo de uma minoria de motoristas.

– A cidade teve e continua a ter prejuízos irreparáveis.

É, portanto, absolutamente necessário que o centro de Amsterdam seja fechado ao tráfego de veículos. A eliminação do trânsito melhorará automaticamente o fluxo de transportes públicos em até 40%. Mantendo o mesmo número de bondes e funcionários da companhia de transportes, será possível poupar 2 milhões de florins por ano.

Propomos que a prefeitura adquira 20 mil bicicletas brancas ao ano, como integração do sistema público de transporte. Tais bicicletas brancas pertencerão a todos e a ninguém. Desse modo, o problema de trânsito no centro da cidade poderá ser resolvido ao cabo de poucos anos. Como primeiro passo para alcançar as cotas de 20 mil bicicletas brancas ao ano, Provo oferece aos voluntários a oportunidade de ter as próprias bicicletas pintadas de branco, apresentado-se à meia-noite em ponto diante da estátua do Moleque no Spui. 

Os táxis e os meios de transporte de utilidade pública terão de funcionar com motores elétricos e alcançarão uma velocidade máxima de 40 quilômetros por hora.

Os motoristas deverão deixar o próprio carro em casa e ir à cidade de trem, ou estacionar em espaços especialmente construídos nos limites da cidade, tomando em seguida um meio de transporte público.

O AUTOMÓVEL é um meio de transporte que só se pode admitir em zonas escassamente habitadas. Os automóveis são meios de transporte perigosos e totalmente inapropiados para a cidade. Existem meios melhores e tecnicamente mais sofisticados para nos deslocarmos de uma cidade para outra. O automóvel representa uma solução ULTRAPASSADA para esse tipo de utilização. 

Não há mais tempo para políticas titubeantes e velhos expedientes. Aquilo de que necessitamos nesse momento é uma solução radical.

NÃO AO TRÂNSITO MOTORIZADO

SIM ÀS BICICLETAS BRANCAS

Incrivelmente esse texto apresenta muito do que acontece atualmente em Amsterdam em termos de locomoção. A influência desses futuristas anárquicos demonstra como é possível através do consumo colaborativo criarmos uma sociedade que gasta menos insumos de produção e consequentemente prejudica menos o meio ambiente.

A incrível idéia de pintar bicicletas de branco e ao invés de guarda-las em casa, deixando-as em algum local público para que outra pessoa possa utilizar-la é basicamente o que vemos hoje com os sistemas por todo o mundo de compartilhamento de bicicletas. No Rio de Janeiro já existe esse projeto e chama-se Bike Rio, apoiado por uma empresa do setor privado bancário.

Levando em conta o exemplo das bicicletas é importante notar que a sua sistemática aplicada ao consumo colaborativo acaba criando um grande Plano Branco Geral, onde a metodologia de trocar produtos de consumo se dá em larga escala e se aplica a TODOS os segmentos de mercado. Seria o consumo colaborativo uma extensão da ideia criada pelos anarquistas holandeses?

Abaixo segue um vídeo que embora não cite os Provos, demonstra um pouco da história dos holandeses e sua atual relação com as bicicletas e o transporte público

Ps – Alguns podem estar confusos quando a parte do título nomeando a contra cultura, porém, fica claro que o nascimento desse movimento não se deu na Califórnia como todos pensam, mas sim teve total influência pelas ações realizadas pelos PROVOS. O que acabou “nublando” o conhecimento dos PROVOS por muitas pessoas é que estes não detinham de um meio de comunicação televisivo fortemente aparelhado como existia nos EUA.

Para quem ficou curioso para saber mais sobre o livro, seu nome é “Provos – Amsterdam e o nascimento da contracultura – Autor Matteo Guarnaccia

Por Martin Draghi

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A crise do sistema capitalista e uma solução colaborativa! Poderíamos viver sem os bancos?

Pensando em qual seria o primeiro site de consumo colaborativo que apresentaria aos leitores, tive a preocupação de demonstrar de forma mais tangível como as plataformas digitais que viabilizam a colaboração entre indivíduos vai ter um impacto profundo na forma como o mercado é desenhado atualmente.

Não é novidade para ninguém que o sistema capitalista está em crise (sim, novamente!). Lemos, assistimos e escutamos notícias sobre o colapso do capitalismo todos os dias na internet, mídia corporativa e no rádio. Os problemas enfrentados pela União Europeia quanto a tentativa de manter o bloco unificado e auxiliar países -em especial Grécia, Espanha e Portugal – que se encontram com grandes problemas de deficit em seus orçamentos é uma preocupação exposta diariamente nos meios de comunicação.

Porém, quando estudamos melhor as causas que levam a determinadas crises capitalistas, notamos que sempre existe um intermediário de peso que vem “assaltando” os interesses da população e do bem estar comum em troca de milhões de doláres/euro para que sua posição de destaque e influência continue imperativa. Estou me referindo aos Bancos.

Muitas pessoas que sentiram na pele as falhas do sistema econômico atual também começaram a estudar o por que de tanto desemprego, e o por que enquanto milhares perdiam seus empregos, suas garantias de aposentadoria e acesso a planos de saúde pública, grandes bancos auferiam um crescimento exorbitante, como é o caso do Bank Of America. Não quero me estender nesse tema, mas creio que esses pontos  foram o alicerce para o surgimento espontâneo de movimentos como Occupy Wall Street, os Indignados, que certamente nasceram influenciados pelas revoltas da Primavera Árabe.

É importante destacar que os problemas da Zona do Euro e dos EUA estão totalmente ligados com a dificuldade que os governos possuem atualmente de pagar suas dívidas com bancos privados, essa dificuldade nasce prioritariamente pela falta de fiscalização que o sistema financeiro possui , sendo facilmente controlado pelos acionistas e seus interesses. Em grande parte, os pacotes voltados a salvação das economias europeias e norte-americanas em si não trarão nenhum tipo de benefício a população, mas sim trarão um benefício direto e tangível aos bancos. Os governos estão mais preocupados em salvar os bancos, do que optar por uma nova forma de governo que não seja tão dependente dos bancos. Portanto, fica claro que em momentos de fragilidade, os governos são meros intermediários para cumprir as necessidades e interesses do setor privado bancário. É interessante notar que o “novo” primeiro ministro da Grécia Lucas Papademos era ex-vice presidente do Banco Central Europeu (BCE), alguém que certamente possui os conhecimentos para que o interesse dos bancos continue sendo mais importante do que os interesses da população em geral.

Mas, o que o consumo colaborativo tem haver com isso? TUDO!

Já imaginou se tivéssemos o poder de acabar com o banco como um intermediário ditatorial nas nossas relações e transações financeiras? Não seria sensacional? Essa plataforma digital já existe e se chama ZOPA.

O Zopa nasceu da surpreendente ideia de que usuários de internet poderiam através de suas interações minar os bancos como intermediários de disponibilização de crédito e empréstimos e criar entre eles mesmos transações financeiras que fossem viáveis e seguras. A equipe do Zopa através de pesquisas percebeu que a grande maioria dos usuários via os bancos como um “mal-necessário”. De acordo com James Alexander, um dos fundadores do Zopa, ” “As pessoas normais” com bons empregos e históricos de créditos decentes estavam descrevendo o ato de entrar em um banco da mesma maneira que entrar em uma loja de sapatos, pedir um par de sapatos masculinos de couro preto, tamanho 42 e ser orientado a voltar em três semanas para lhe ser entregue um par de sapatos femininos de veludo vermelho, tamanho 40, pelo dobro do preço”

O ponto crucial no pensamento da criação do Zopa era que se as empresas não precisam tomar emprestado de bancos, mas podem ir a um mercado (o mercado de títulos), por que os consumidores não podem fazer o mesmo?

Para quem ainda está incrédulo quanto a essa possibilidade lá vão alguns dados interessantíssimos e o mecanismo de uso do site.

Os processos do ZOPA são semelhantes a um leilão no qual o credor que estiver disposto a fornecer a menor taxa de juros ganhará o empréstimo do devedor. Nas palavras dos fundadores “Percebemos que o apelo por trás dessa ideia era que, ao eliminar os bancos tradicionais e evitar os intermediários, poderíamos dar as pessoas um melhor retorno para seu dinheiro, mesmo que cobrassem uma comissão pequena, digamos 1% para promover o “encontro” do empréstimo.

Incrivelmente, com esse tipo de processo a taxa de inadimplência do Zopa é baixa, aproximadamente 0,65%. Esse percentual se torna interessantíssimo quando o comparamos com a  taxa de inadimplência em relação aos cartões de crédito, em meados de 2009, foi mais de 10%.

O consumo colaborativo vai mudar todas as dinâmicas de mercado e trará de volta o poder ao consumidor. As mega corporações que agem atualmente com total descontrole e sem fiscalização terão que se acostumar com o apoderamento do usuário sobre as práticas de mercado e certamente iniciarão um mudança visando melhor adequar-se a essa nova economia de colaboração.

Para terminar este extenso post, deixa a vocês uma ideia de como pode ser o futuro daqui a alguns anos.

Pensem em como a Internet está nos libertando de certos mercados que abusam de sua autoridade e influência sobre nossas práticas de consumo.

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Até a próxima!

Por Martin Draghi

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Sorria, você está sendo controlado!

No post passado citei que iria iniciar a demonstração de alguns dos sites que são utilizados como plataformas que viabilizam e incentivam o consumo colaborativo. Porém, após pensar melhor, acredito que uma breve explicação sobre como se desenvolveu a atual sociedade do hiperconsumismo se faz necessária para um maior entendimento de como nos tornamos consumidores tão ferozes e inconsequentes.

É importante aclarar que não tenho problemas com o consumo em si. Acredito que o consumo de bens materiais e serviços muitas vezes é importante para alcançarmos objetivos que traçamos em nossas vidas. A minha aversão é com o consumismo, ou seja, o ato de consumir produtos e/ou serviços, indiscriminadamente, sem noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o ambiente.

Com essa ideia em mente, não penso em esgotar o assunto sobre como nos tornamos uma sociedade extremamente consumista e dependente das megas corporações, mas sim, explicar como se iniciou esse processo e como ele foi implementado através de uma “conversa” entre familiares dos anos 20 (1920). Um com domínio das estratégias de comunicação e outro com profundo entendimento da psicologia humana.

O ano é 1917, Edward Bernays um jovem de 26 anos recém contratado para trabalhar com o presidente Woodrow Wilson é convocado para realizar as estratégias de propagandas da I Guerra Mundial. Como a palavra propaganda ainda tinha uma influência negativa sobre os norte-americanos devido a “ameaça vermelha”, Bernays resolve criar o nome Relação Públicas como forma de utilizar a propaganda sem que fosse vista como algo pejorativo pela sociedade americana. O lema criado por ele para os norte-americanos apoiarem e defenderem o uso de força armada pra a I Guerra Mundial foi “Estamos levando democracia para toda a Europa”. Interessante notar, como esses mesmos termos ainda são utilizados pela mídia norte-americana para ganhar o apoio da população para viabilizar guerras através de falsos pretextos.

Bernays tinha como tio nada mais nada menos que Sigmund Freud. Como os estudos de seu tio ainda não tinham feito sucesso pela Áustria, Freud mandou ao seu neto partes do livro “Uma introdução geral a Psicanalise” perguntando-lhe se em troca poderia lhe ceder alguns trocados.

Bernays ficou extremamente entusiasmado com os estudos do Freud e notou que através de emoções era possível manipular o comportamento de qualquer consumidor por meio da ligação com eles em um nível subconsciente profundo, especialmente impulsos humanos baseados na sexualidade e na agressividade.

O maior exemplo desse tipo de controle de massas foi uma ação realizada por Barneys para estimular as mulheres a fumarem. Importante ressaltar que na década de 1920 o ato de mulheres fumando em público não era um comportamento socialmente aceito. Porém, Barneys queria por em prática suas crenças de estratégias de propaganda aliadas ao estudo da psicologia.

Em uma tarde, reuniu um grupo de mulheres  e jornalistas. Em um determinado horário todas as mulheres acenderam um Lucky Strike (produto da Tobacco Company)  e os jornalistas convidados por Bernays tiraram fotos que iriam parar nas capas dos mais populares jornais da época.

Na capa, estava estampada as seguintes palavras “Acendendo as tochas da liberdade nos interesses da igualdade entre sexos.

Bernays havia notado que o desejo das mulheres estava vinculado muito mais a um desejo subconsciente profundo de ter a mesma liberdade dos homens de fumarem em público. Três anos depois as vendas da American Tobacco deram um salto de R$32 milhões.

Em suas próprias palavras, Bernays disse:

Se entendemos os mecanismos e motivações da mente de um grupo de pessoas, não seria possível controlar e regir as massas de acordo com nossas vontades sem que elas tomassem conta disso? As recentes práticas de propaganda demonstram é possível, até certo ponto e com determinados limites

Acredito ter me estendido demais nesse post, porém, acho de extrema importância um básico entendimento sobre assuntos voltados a psicologia e o atual comportamento consumista. Ao longo do blog vou tentar mesclar a apresentação dos sites que viabilizam o consumo colaborativo e temas que expliquem como chegamos no atual contexto de hiper consumismo de nossa sociedade.

E vocês, alguma fez pararam pra pensar se o que compraram realmente era necessário? São perguntas importantes a serem feitas, tanto para uma maior consciência de nosso papel como consumidores como para entendermos o gigantesco poder de influência e persuasão que as empresas detêm hoje em dia sobre nossas escolhas.

Por Martin Draghi

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Consumo colaborativo não é modismo

A idéia de criar esse blog nasceu de um grande interesse por minha parte de assuntos relacionados a sustentabilidade e de um profundo sentimento de que as coisas “não estão como deveriam estar”. As práticas de mercado que temos hoje em dia tendem a valorizar, através da propaganda e a cultura, o sentido do hiper individualismo em relação ao consumo, que por si só já se apresenta como não-sustentável. Como disse o conhecido analista de varejo Victor Lebow em 1955 “Nossa economia enormemente produtiva, exige que tornemos o consumo nossa forma espiritual de viver, que transformemos a compra e a utilização de bens em rituais, que busquemos satisfação espiritual, nossa satisfação pessoal, no consumo. A economia precisa de coisas consumidas, queimadas, desgastadas, substituídas e descartadas a uma taxa cada vez maior”

Com o passar dos anos a sociedade toma-se conta de que não é possível consumir ignorando totalmente todas as fases de produção e mais importante ainda de descarte dos produtos consumidos.

Entre os que mais agridem o meio ambiente em detrimento do consumo exacerbado estão os norte-americanos, uma criança de família com renda média norte-americana que viverá aproximadamente até os 80 anos, consumirá 2,5 milhões de litros de água, madeira vinda de mil árvores, 21 mil toneladas de gasolina, 220 mil quilos de aço e 800 mil watts de energia elétrica*. Já uma criança brasileira consumirá 13 vezes menos os valores citados acima. Trata-se de apenas um individuo. Preocupante não?

Porém, nem tudo está perdido, existe uma onda de consumo colaborativo crescente, que embora não tenha como principal objetivo a sustentabilidade, acaba por si só gerando uma nova interação entre os consumidores que de forma secundária apresenta-se como sustentável e revolucionária. É importante ressaltar que o consumo colaborativo não trata-se de um modismo ou de ações que estão acontecendo de formas isoladas. Em alguns países já existem pessoas que vivem do chamado “collaborative lifestyle” e o percentual de consumidores aderindo ao movimento é espantosamente grande.

O consumo colaborativo dá a chance aos próprios consumidores de assumirem-se como sustentáveis e ao mesmo tempo consumindo os produtos que querem sem terem que pagar mais caro por isso, escapando das  armadilhas de muitas empresas que realizam o famoso “greenwashing” para se posicionarem no mercado como defensoras do meio ambiente ou socialmente responsáveis.

Ao longo do blog, irei citar os benefícios e os novos sites que estão surgindo que propiciam através da tecnologia uma quebra no paradigma do consumo hiper individualista e também aproxima as pessoas umas das outras, ponto que não é muito exaltado na atual cultura de alimentação feroz do ego.

Para demonstrar de fato que esse movimento de consumo colaborativo não se trata de um simples modismo, segue abaixo um vídeo com alguns dados muito interessantes.

A idéia é que o blog seja o mais colaborativo possível, sintam-se a vontade para mandar quaisquer notícias relacionadas a consumo colaborativo, sustentabilidade ou novas plataformas digitais que desempenham o papel de aproximarem os consumidores uns dos outros. Por e-mail sustentabilidadecolaborativa@gmail.com ou pelos comentários.

Até a próxima!

*Os dados foram retirados da pesquisa realizada por Rachel Botsman e Roo Roogers para o livro “Como o consumo colaborativo vai mudar nosso mundo”

Por Martin Draghi

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